quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Dica de brincadeiras com tema Carnaval e Dispraxia



Quanta dissociação de dedos é necessária para jogar uma serpentina!!!
Essa semana foi aquela em que a sala de Integração Sensorial virou uma teia de serpentinas. Mas elas não foram jogadas por algum adulto na intenção de deixar uma sala bonitinha decorada para anunciar o carnaval. Foi sim palco de brincadeiras e construção feita pela criançada. 
E quanta coisa foi aproveitada para prosseguir o programa de Integração Sensorial de forma contextualizada!!!
Desde como arrumar a serpentina na mão, segurando uma ponta com os dois últimos dedos e segurar o rolo com os demais dedos. 
Haja dissociação de dedos! 
Sentir a pressão que precisa ser feita para segurar.


E ainda por cima há todo o corpo que precisa ser "arrumado" em relação consigo e com o espaço.
E arremessar a serpentina? 
Precisa regular a força, direção, intensidade e duração do movimento - qualidades que vêm de uma boa propriocepção.

Formou-se uma teia gigante de várias serpentinas quando cada criança jogou a sua. 
Estava na hora de oferecer outros desafios: imaginar que esta teia poderia ser o que cada um quisesse.

Haja imaginação sendo vivenciada em tempo real com o corpo.

 

O que mais veio foi a teia de aranha e teia de cipós...um emaranhado de serpentinas, ops! cipós, onde cada um tinha de elaborar um plano para desviar o corpo, se contorcer, fazer outros caminhos, e tudo isso ainda tinha, às vezes, que levar o brinquedo para outra sala...ou ainda salvar a princesa da baba da aranha. 

Viu como é simples brincar?!

Sentir o fazer - e esse fazer vir do que se quer e o que precisa, no tempo e espaço, no contexto  - isto é praxia!!!

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

No banheiro, na escola, na festa, no parque. Vamos falar sobre Integração Sensorial?

"Meu filho é seletivo para comer, fica facilmente irritado, evita se sujar, não gosta de brincar com outras crianças, come demais sem saciar a fome, tem o sono agitado, não pára sentado na sala de aula, não pega direito no lápis, não olha enquanto estou falando com ele, fica pulando do sofá toda hora, vive caindo"...e outros detalhes na rotina que incitam as palavras: NÃO ou DEMAIS.
Ou até mesmo: meu filho é "preguiçoso", "mal-educado"," mal-humorado", faz "corpo mole", "folgado", "impulsivo", "desastrado", "desatento", "bom até demais, sem maldade".

Será que este modo de se comportar tem algo em comum para os pais ficarem preocupados?
Depende. É necessário observar a intensidade, duração e frequência nestes comportamentos.
Costumo dizer que: se algo está prejudicando o bem estar da criança e/ou das pessoas que estão em relação com ela, sim.
Precisamos ver o que está acontecendo.

Quando a criança brinca de forma diversificada ela aprende sobre si no mundo.
Essa relação vai abrindo caminhos para novos caminhos. Da plasticidade neural à social.

A princípio, Srs pais e cuidadores, todas as nossas atividades e ocupações diárias são resultantes de nosso amadurecimento global, que estão envolvidos vários aspectos.

Vamos falar sobre um deles: a Integração Sensorial. Habilidade neurológica que nos possibilita a todo instante nos ajustar num mundo cheio de informações sensoriais e organizar estas para uma boa adaptação, expressando pelo movimento, linguagem e emoção.

Ouvir, sentir pelo toque a textura, temperatura, pressão, dor, sentir o gosto, o cheiro, sentir o corpo se movimentando no espaço,  poder ficar em pé ou em outra postura num planeta que tem gravidade, sentir o corpo girando, olhar enquanto está falando ou enquanto está escutando. Poder sentir as diferenças de todas as sensações, o quanto é bom e o quanto é aversivo um som, um toque, algum alimento. Poder graduar a força, direção, duração e a intensidade dos movimentos, das expressões de emoções, organizar o pensamento e todas praxias. Nas diversas situações cotidianas.

Várias habilidades estão inseridas em diversas ocupações.
Brincar, escrever, comer, vestir-se estão interligados pelo engajamento da criança no contexto diário.

Acreditem. Para tudo isso é necessário, no mínimo uma boa habilidade de integração sensorial. É a partir dos sentidos que conhecemos sobre nós, inclusive sobre o mundo, interno e externo. Um não existe sem o outro. Somos o que somos porque há dentro e fora que se interdependem e se alimentam o tempo todo formando novos encontros...seguindo a vida.

Mas vamos ligar isto a prática...
Desde intra útero vamos colhendo e produzindo sensações. Isto só termina quando partimos desta vida.
Por alguns motivos no caminho pode ter alguns desajustes, ou ficarmos fora de sintonia em alguns momentos.
Por exemplo: um bebê que não consegue dormir no colo, ou tem sono intranquilo, não ficar confortável nos cuidados básicos, não brincar com outras crianças. Ou uma criança na fase escolar que  precisa de alguém para dizer as etapas para se vestir ou não consegue ficar sentado na hora da lição ou das refeições. Esses são alguns momentos dentre tantos que podem sinalizar que algo não está em sintonia.

O que fazer?

Primeiro entender, e aceitar, que todas estas ações tem um nível sensorial.
E que por este motivo podem ter relação com a maturidade de Integração Sensorial. Isto é, como são recebidas as sensações, processadas, moduladas, percebidas e utilizadas como formadoras de respostas. Ou, como me visto sozinho, como escrevo em uma sala de aula barulhenta, como ando de bicicleta ou como mantenho uma conversa.
Há pessoas que apresentam sinais de Disfunção de Integração Sensorial que têm um dia-a-dia bem complicado. E nem sabem disso.
Mas tem como melhorar.
Em seguida, sem pressa de um diagnóstico, procure um terapeuta ocupacional especializado em Integração Sensorial para esclarecer suas dúvidas e preocupações.
O terapeuta ocupacional é formado para analisar as ocupações da vida cotidiana e usá-las como ferramentas de conhecimento e autonomia.

Terapia de Integração Sensorial...um caminho.


Enquanto isso...

1- cuidado com os rótulos! 
Procure ajuda para saber se seu filho realmente faz "corpo mole" de propósito. Não o chame de algum apelido pejorativo. Tenho ouvido cada coisa que não faz bem para auto imagem de ninguém, muito menos de uma criança que está formando a personalidade.

2-não se culpabilize de nada!
"Meu filho é assim porque não estimulei direito?" Faça uma parceria com outras pessoas, terapeutas e médicos, se precisar. No intuito de entender melhor o que está acontecendo. Sua estimulação será muito válida, mas sua compreensão, melhor ainda!

3-não deixe o "tempo passar"
Recebo famílias de crianças grandes que foram aconselhadas por outros profissionais que insistem em dizer " é assim mesmo, dê tempo ao tempo", mesmo a mãe insistindo que algo não está de acordo com o esperado para aquela idade. Há uma linha tênue. Para mim se continua incomodando de algum jeito, escute o que você está sentindo e procure ajuda por conta própria. Quanto mais cedo, melhor.

4- procure não ver por um só lado. 
Há vários aspectos envolvidos. Nem tudo é só alteração de processamento sensorial e nem tudo é só emocional. Às vezes podem ser os dois, ou nenhum.

5-considere tudo importante, do desempenho escolar à felicidade cotidiana do seu filho. Mas sobretudo fique em contato com os sentidos! Eles são a base da nossa existência.

sábado, 2 de abril de 2016

Como parceiros podemos ir além...



...sim, neste Dia Mundial da Conscientização do Autismo desejo que a parceria seja a rede para sustentar as diferenças e criar melhores condições de vida para as crianças que estejam dentro do espectro do autismo, e suas famílias.

No meu dia-a-dia, trabalhando com Integração Sensorial, descubro a cada brincadeira que a terapia começa a fazer diferença quando encontramos um lugar comum de parceria. Os primeiros sinais de autonomia começam a se anunciar quando a criança percebe que estamos a acompanhando e não ditando o seu caminho. Entender como ela sente e construir junto com ela novas possibilidades de integrar tudo que acontece dentro e fora de seu corpo cria possibilidades de novas expressões de comportamento e sentimento de si, e do mundo.

Costumo ter em mente, e no coração, que estamos no mesmo barco, mas cada um no seu leme, ora ajudando mais, ora ajudando menos até chegar um dia de desejar uma boa viagem para o passageiro tomar seu rumo.

Portanto, neste dia, e em todos, desejo mais conhecimento, mais cumplicidade e acima de tudo...que mesmo contemplando toda diversidade e condições especiais, que a parceria nos leve além do diagnóstico.

Que a descoberta de ter TEA não seja um fim, mas só um começo de uma jornada que pode ser divertida, para todos nós.

Divirto-me sempre. Obrigada, gente!

sábado, 21 de novembro de 2015

Brincar com o que temos!

No princípio era uma caixa de papelão jogada no lixo.
Sim, ainda tem gente que joga materiais recicláveis no lixo comum. 
Mas não tem nada não. A gente faz ter sempre sim, 
algum motivo para brincar!

Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Um dia saindo de casa, com pressa para trabalhar, tive um momento daqueles que só quem é terapeuta ocupacional entende. Parei e vi algo que me encheu os olhos: uma caixa de papelão de maquina de lavar louça destinada a virar lixo. Grande, com espessura larga. Perfeita! 
Para quê?

Caixa de papelão que virou tudo: nave espacial, maquina de lavar, caixa maluca que vira e vira muitas vezes...tudo que a imaginação quiser
No ímpeto sabia que ia servir para alguma coisa, mas confesso que nem imaginava o que iria provocar na criançada. 
A gente nunca sabe mesmo. Imagina...

Terapeutas e famílias, descobrimos que dá para fazer mil coisas com a caixa de papelão, em tempos e modos diferentes...dependendo do que a criança gosta, precisa e inventa:

-caixa vazia: sentir e organizar corpo em diferentes espaços.Ocupar, entrar, ficar, sair. Em posições diferentes da caixa e do corpo da criança fazendo novos planejamentos e mapas de esquema corporal.

Se organizando em ambientes com menor espaço.









-caixa cheia de brinquedos, de bolas. Sentir o corpo em contato com elementos sensoriais, movimentar o corpo na caixa. Sentir a caixa movimentando o corpo, nas "viradas malucas".

"Caça ao ninja"

-incentivar a imaginação: o que a caixa pode se transformar? Numa nave espacial que vai para lua? Num esconderijo de ninjas? Ou num lago quente de peixes coloridos?

-ações com brincadeira de desafios: "como você pode entrar na caixa sem tocar as mãos nela?" Saber entrar na caixa de maneiras diferentes. Provocar a criança ter uma ideia prévia,  subir em algo, ou pela escada, ou se pendurando no trapézio, planejando e experimentando a ação da gravidade e chegar ao que se planejou.



-jogo: para aqueles que adoram sentir o corpo como se tivesse dentro de um liquidificador...rsrsrs ...inventamos até um jogo de rolar o dado grande e esperar ver quantas vezes a caixa maluca deveria virar. 

Vale a pena ouvir e ver as gargalhadas!!! Imaginem sentir as bolinhas se movimentando pelo corpo enquanto vira  a caixa. Tem até criança que aprende a "roubar" no jogo para tentar o dado cair sempre no seis. 
É estratégia, não é?

O que fazer com meu corpo para lidar com as mudanças?

-ainda: a caixa serve para subir e ser um objeto intermediário para escalar...e muito mais...tudo que couber na imaginação.

Como na terapia de Integração Sensorial provocamos situações de desafios sensório motores em que a criança escolhe e toma prumo de sua brincadeira precisamos ter sempre na sala materiais versáteis. 

Precisamos também estar disponíveis para que a nossa postura seja similar e podermos proporcionar novas e ricas oportunidades.

A criatividade da terapeuta pode engatilhar processos na criança... e vice e versa.
A via é de mão dupla. 
Disponibilidade para fazer o caminho experimentando, descobrindo, criando.

É bom saber: sob a perspectiva da terapia de Integração Sensorial há recursos sensoriais que auxiliam a regular o estado de alerta, e isto acontecendo, levar a um estado de prontidão de corpo, mente e condições afetivas possibilitando melhor envolvimento e criatividade com crianças que por algum motivo precisam de apoio para brincar e se comunicar de acordo com sua idade. 
Se divertindo.

Este é um depoimento de uma pessoa que viveu em uma época que brincar com um pneu de velocípede tentando equilibrá-lo com uma pedaço de arame...era uma diversão.

sábado, 30 de maio de 2015

Meu trabalho é uma brincadeira!!!


Minha parceira me clicando na brincadeira compartilhada
Infinitos modos de expressão.

Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Hoje fui surpreendia por uma pergunta espontânea de uma criança de 9 anos na sessão de terapia ocupacional:

" Beth, você trabalha? 
Respondo: aqui é o meu trabalho. 
Ela insiste: " mas que horas você trabalha?"
Respondo: as horas em que estou aqui. 
Ela comenta com ênfase: "mas aqui a gente brinca!".
Comento: pois é...meu trabalho é brincar!
E mais uma vez ela me faz uma surpresa:
" quando crescer eu quero esse trabalho."

Uma e outra se apresentaram surpresas!!!

Sabe aqueles momentos que são como se fossem frestas na vida, mas que na verdade podem ser afirmativos da existência?!
Sim, neste dia testemunhamos a nossa.

domingo, 17 de maio de 2015

Brincar e praxia

Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Relato breve de uma sessão de terapia ocupacional em um ambiente de Integração Sensorial com um adolescente com dificuldades em aprender na escola e na autonomia das atividades cotidianas.

"O que vamos brincar hoje?
Já sei...quero fazer uma casa.
De qual material?
Com os materiais da sala...
...deixa eu tornar realidade a casa que sonhei.
e...não tem teto?
Não, quero ver as estrelas.
Tem porta?
Tem.
Esta é a melhor ideia que já tive!
Poderia ficar aqui para sempre..."


Brincar construindo o que imaginou não vem só do querer.
Vem da maturidade,
vem das oportunidades da meninez
e vem da habilidade em poder ter uma ideia  sobre algo, planejar e saber executar os passos do fazer propriamente dito. Isto requer um domínio de praxia, processo que está no cerne de nossa relação com o mundo e nas aprendizagens. Principalmente quando nos deparamos com uma situação nova e/ou temos que criar.
Tarefa não muito fácil para algumas crianças com  alteração no processamento sensorial, que apresentam dificuldades de aprendizagem, situações como TDAH e autismo, entre outras.


Imaginar, olhar para o ambiente como um todo, escolher os materiais, combinar e montar em sequência requer maturidade do processamento sensorial.
Para chegar neste ponto de imaginar a casa de seus sonhos P. vivenciou muitas brincadeiras nas sessões de terapia ocupacional sendo incentivado no ambiente de integração sensorial.

Brincar envolve praxia e esta para se desenvolver na criança precisa ser por meio de brincadeiras.

Por isso, adulto, tenha em mãos:

-disponibilidade em criar situações novas e motivadoras onde a criança amplie o repertório de brincadeiras. Experimente, imite, erre, acerte, crie, recombine e renove. Diariamente.
-um ambiente rico de materiais que se transformam e podem se recombinar
-conhecimento de neurofisiologia sobre integração sensorial, desenvolvimento e aprendizagem. Se você é um cuidador procure ajuda de um especialista se sua criança tiver um repertório restrito para brincar.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Dica de livro para brincadeiras simbólicas


"O Livro com um Buraco",  da editora Cosacnaif ( eles são muito bons), é um daqueles livros reveladores para você viajar  com as crianças, inclusive, a sua, bem lá dentro e que, talvez, esteja adormecida.

Como o livro tem um buraco na lombada a cada página que se abre há um desenho diferente onde o círculo fica no meio podendo ser preenchido o espaço a partir da imaginação. Com desenhos, palavras, partes do corpo, fantoches e outros brinquedos.


São diversos temas do universo infantil. As representações podem virar histórias, sonhos, pesadelos, recortes, desenhos e pinturas...tudo que couber no mundo simbólico.

Tenho usado principalmente com crianças que por um motivo ou por outro estão em defasagem para imaginar e/ou desenhar.
Pode ser usado também auxiliando no programa de Integração Sensorial  no incentivo a criação de temas para as brincadeiras e praxias.
Além do desenho no papel que fica sob o livro colocamos a face, o cotovelo, o joelho...fazendo desenhos também no corpo.

A criançada entra na brincadeira fácil, fácil..e aí, já viu...brincou, imaginou, desenhou, pintou, escreveu.


                       


Dá até para ser uma ponte para a pintura livre onde a criança dá asas a imaginação.

Olha lá o foguete do espaço que foi recortado, colado e entrou na pintura

Precisamos continuar valorizando recursos para incentivar a espontaneidade da criançada. 

Que não seja tudo pronto, que não seja tudo exposto. 
Que o mistério ainda faça parte da criação!

segunda-feira, 2 de março de 2015

Como usar histórias sociais

    

Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Histórias Sociais são usadas comumente com crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista como recurso para amenizar ansiedade, ajudar em situações-problema e a possibilidade da construção da criação de novos caminhos junto com a criança, principalmente em contexto de inclusão social. 
Existem várias formas de fazer a depender do nível e necessidade da criança e do adolescente.
Coloco o link abaixo de um material que achei completo e super explicativo.
Em caso de dúvida, peça ajuda a um profissional especializado.


"Histórias sociais são descrições curtas e simples que são criadas com a intenção de ajudar a criança a entender uma atividade ou situação particular, junto com comportamentos que são esperados da criança nessa situação particular. Essas histórias também dão informações precisas sobre o que a criança poderia testemunhar ou experimentar em uma situação particular."


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Memória e afeto


No grupo de estudo de Eutonia e Memória assisti a um filme ( curta) que me deixou impactada pela competência da equipe em passar de forma tão lírica um assunto complexo que está no nosso dia-a-dia: a relação com pessoas em fase de envelhecimento com perda de memória.
São muitas reflexões que cabem neste filme.  Só algumas...

Como valorizar o contato afetivo e potencializador por meio das memórias?
Como poder entrar em relação com o outro de acordo com as possibilidades que se fazem presente no instante e não sempre sob os nossos filtros pré-concebidos?
Quem podemos ser ou como podemos viver acessando as memórias?
É possível fazer novas conexões? ou...

O que cerca pode servir para ligar?

A vida segue a qualquer tempo.
E como podemos vivê-la?
Escolha?
Destino?
Oportunidades?

O velho e o novo não seriam expressões de uma mesma unidade?


DONA CRISTINA PERDEU A MEMÓRIA
Foto por Alex Sernambi: Pedro Tergolina e Lissy Brock
Antônio, um menino de 8 anos, descobre que sua vizinha Cristina, de 80, conta histórias sempre diferentes sobre a sua vida, os nomes de seus parentes e os santos do dia. E Dona Cristina acredita que Antônio pode ajudá-la a recuperar a memória perdida.
Direção: Ana Luiza Azevedo
Produção Executiva: Nora Goulart e Luciana Tomasi
Roteiro: Ana Luiza Azevedo, Jorge Furtado e Rosângela Cortinhas
Direção de Fotografia: Alex Sernambi
Direção de Arte: Fiapo Barth
Música: Gustavo Finkler
Montagem: Giba Assis Brasil
Uma Produção da Casa de Cinema PoA
Elenco Principal:
Lissy Brock (Dona Cristina)
Pedro Tergolina (Antônio)
Link do youtube

domingo, 22 de fevereiro de 2015

" Um mar de peixes-letras". Brincar a partir do centro de interesse - dica para crianças com TEA

Aliar o querido ao necessário
Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Em algumas crianças com Transtornos do Espectro Autista é comum, dentre outras características, a persistência numa determinada brincadeira e/ou apresentar resistências de tocar ou ser tocado. 
A atividade de hoje contempla esses dois fatos. 
Usamos polvilho e letras. Sim, polvilho. E por que não farinha? Pode também, porém neste dia ofereci polvilho, pois ao adicionar pouca água ao polvilho temos outra textura e resistência. Vale a pena conferir antes para saber se está no nível de possibilidade da criança.
É sempre bom lembrar que a própria natureza física (sensação da textura, forma, cheiro, cor, temperatura, volume, plasticidade e resistência) dos materiais provoca situações diferentes em nosso corpo como a forma de pegar, a intensidade, força, duração e os ajustes que forem necessários.

Aproveito a oportunidade para lembrar aos terapeutas que: de preferência, façam em vocês primeiro o que for propor aos clientes. De quebra vocês aprendem sobre si e quanto a atividade que irão propor. Reflitam sobre os efeitos, as modificações, os ajustes. Aproximem-se do que estão propondo. Cuidado com as receitas pré-formatadas. 
O que dá certo para uma pessoa pode não dá para outra.

Onde está o peixe H, igual ao escrito no dorso da mão?

Sobre esta atividade: acham que é fácil? Depende, para quem. E o que podemos inventar.
F. gosta muito de brincar com letras e neste dia me pediu incessantemente. Como estamos em um programa de Terapia ocupacional sendo enriquecido pelo modelo de Integração Sensorial, F. vem evoluindo muito na hipersensibilidade tátil e atualmente consegue brincar com materiais diferentes. Por isso sugeri o polvilho integrando ao que F. adora e favorecendo pequenos desafios implícitos na atividade: de natureza física, a combinação do polvilho e água estimulando a riqueza de sensações e destreza motora manual; e de natureza cognitiva, incentivar uma simbolização  pela história considerando seu centro de interesse, sem falar a natureza de ordem emocional que sempre está presente.
"Demoramos para achar o H, pois ele estava mergulhado no fundo do mar. Foi preciso enfiar o indicador com jeitinho para conseguir".
Tantas coisas que fizemos desde a preparação até a arrumação que daria um capítulo descrever aqui.

O que refleti e sempre aprendo:
Começar pelo que F. escolheu o acalmou e possibilitou aos poucos ir complexificando a brincadeira.

O que confirmei do que acredito:
Sempre podemos dar nem que seja um mínimo passo seguindo o desenvolvimento.

O que nunca esqueço:
Só propor algo diferente se a criança estiver no tempo de maturidade e no ambiente favorável.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Brincando de escolher caminhos: recorte - tempo e espaço.


Dica de atividade inspirada na obra " Caminhando", de Lygia Clark

"As diversas respostas surgirão de suas escolhas".
 Lygia Clark

Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Existem muitas formas de refinar a coordenação das mãos, olhos e da percepção. Quem pensa que está isolado da maturidade global do sujeito está redondamente enganado. Em um simples recorte de uma linha, por exemplo, são requisitados vários domínios de cadeias musculares que irão se ajustar em sintonia aos tecidos e órgãos do corpo, ligados a todo sistema nervoso.  É movimento e percepção formando nova aprendizagem de forma integrada.
Além disso, estruturas do corpo são acionadas para manter a atenção com propósito e motivação. E assim fornecer energia para continuar outras experimentações.
Recortar também envolve ação sequencial e integração bilateral do corpo.
É espaço e tempo.
Nessa sugestão de atividade o recorte pode ser também escolha de fazer novos caminhos. Verificando os resultados.
Todos nós vivemos isto em situações corriqueiras. A criança, e especialmente na idade escolar, lida com muitos desafios nesta área. Ela está em formação ajustando os domínios do corpo e o uso dos instrumentos em suas diversas ocupações diárias: nas brincadeiras, nas atividades de auto cuidados e na escola.
Por vários motivos e diferenças maturacionais algumas crianças precisam exercitar mais que outras para passar por esta fase da forma mais divertida possível.
Portanto, vamos sempre ter o cuidado de não gerar momentos enfadonhos para criança exercitar seus olhos, mãos e cérebro. Além dos recortes livres e dos modelos conhecidos invente formas inusitadas, que sejam simples e que possam ser feitas em qualquer lugar ou a qualquer hora.

Para quem for importante saber, está comprovado cientificamente

Aprendemos melhor pela novidade e quando estamos motivados 
Repetindo, na diversão, aprimoramos nosso conhecimento.

Vai a dica de atividade: "Fita de Moebius"

Material necessário: papel de presente, tesoura e cola.

Escolher iniciar
Recortar na largura escolhida. Achei legal este papel de presente com linhas coloridas.

Passar cola nas extremidades do papel, avesso e direito para....

...colar de forma invertida. Formando o símbolo do infinito. Fita de Moebius.

Inicia de um ponto escolhido e segue recortando evitando encontrar o ponto inicial para continuar caminhando

recorta, recorta, recorta...formando caminhos até chegar em um ponto tão estreito que não dá mais para seguir. Escolher parar.

Dá para brincar com os anéis colocando no corpo, pendurando como móbiles. O que vale é a criatividade.

Esta sugestão de atividade vem da minha vivência com o trabalho da artista plástica Lygia Clark.
Vi também que é muito bem indicada para crianças ( e adultos) com impulsividade e deficit de atenção. É incrível como a criança gosta e fica mais aberta, que muitos adultos, em descobrir os caminhos que surgirão.

Quer saber mais sobre a obra de Lygia Clark?
Link "Caminhando" - Lygia Clark

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Autonomia, processamento sensorial, coordenação motora e atenção.Muito além das sessões de terapia ocupacional.

As crianças aprendem nas atividades cotidianas, ajudando e tomando conta!
A atitude do adulto é muito importante nestes momentos. Incentivando o interesse e participação. Criando um ambiente rico de oportunidades.


Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Sempre falo às famílias que me procuram: o dia-a-dia é o mais valioso!

É onde se tece quem nós somos e o que podemos vir a ser.

Experimentando, descobrindo, malhando músculos, sensações, sentimentos e vínculos.

O que posso fazer sozinho? Em que preciso de ajuda? Quando é bom estar em grupo? O que a criança aprende sobre si mesmo e o mundo quando participa das atividades da vida diária?

São muitas situações cotidianas onde estão inseridas em um tempo e lugar. Um corpo/sujeito se formando em relação, no contexto, junto a outros corpos, outras pessoas, diversas preferências e modos, de sentir e fazer.

Com a criança que precisa de um atendimento especial  não é diferente. Por mais que na terapia haja recursos primorosos faltará uma parte do caminho da autonomia, se não forem validadas e estruturadas as ações de forma independente no cotidiano. É claro que deve ser considerado as possibilidades de cada um e o nível a ser atingido.

É lá, no dia-a-dia, naquele momento em que a criança se dá conta das necessidades, do prazer, do que precisa para a regular os movimentos, da sensação, por ex. de como ajustar os dedos das mãos para calçar uma meia, da atenção que precisa para vestir uma camiseta do lado correto, do volume do alimento em que pega com a colher, da precisão de movimentos para colocar a pasta na escova de dentes, do tempo de durar a refeição, da sensação em ensaboar-se. Estas ações acontecem devido a um bom processamento sensorial.

Estão lá: as noções de tempo, forma, peso, volume, textura, temperatura, cheiro, sabor, movimento, força, ajustes posturais, coordenação, atenção e mais os tantos pequenos "problemas" que precisamos resolver para grandes aprendizagens da vida, apropriar-se dos auto cuidados.

Antes de chegar a fase de se tornarem automáticas tais ações passam por bons momentos de ensaio-erro, conforto e desconforto,  podendo chegar a ensaios de empoderamento de si. Sem mais, nem menos, tudo de acordo com o nível de desenvolvimento.

Sim, quanto mais a criança descobre e vivencia a independência a seu tempo ela exercita tudo que precisa para sua autonomia. Contando, inclusive, com as questões específicas que por algum motivo estejam em defasagem como a coordenação motora, a atenção, o processamento das sensações, a organização do tempo de fazer as ações cotidianas.

Acreditem. Na rotina diária a coordenação motora fina  é muito mais exercitada do que numa sessão de terapia. Não é raro receber crianças com atraso na escrita que não calçam as suas meias ou que nunca descascou uma fruta com as próprias mãos.

Portanto, além da sessão de terapia:

-CELEBRE  AS CONQUISTAS
 favoreça momentos em que seu filho(a) tente fazer o que é esperado para idade dele nos momentos de: alimentação, vestuário, higiene, dormir, acordar, cuidar de seus pertences e do ambiente em que vive, se locomover, brincar, interagir com o grupo

-ADAPTE
... e se ele não puder fazer sozinho, busque um jeito de auxiliá-lo, sem fazer por ele. Converse com um terapeuta ocupacional se seu filho precisa de adaptações para conseguir realizar de forma independente possível.

- O ERRO TAMBÉM É UM PASSO
 não o poupe de errar, dentro das medidas de segurança cabíveis.

- NÃO SUBESTIME
 valorize o cotidiano como um contínuo aprendizado

- PARA QUEM?
se você é terapeuta sempre converse com a família sobre como pode ajudá-la para transpor os objetivos da terapia para o cotidiano. Os objetivos não devem estar limitados ao programa terapêutico, mas devem ser para melhorar a vida da criança e da família.

                                                                 
                                                                                   Se precisar, ajude.
Pequenas responsabilidades criam repertório para a vida
          
Achei este post que vem de encontro ao que estou colocando agora em evidência.
Siga o link Diirce - filho ajudando em casa, por faixa etária




quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Brincadeiras proprioceptivas agrupadas em 10 ítens


Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Brincar sentindo o corpo!



Novidade?
       
Não deveria ser.

Nos tempos atuais precisamos estar atentos e valorizar os ricos momentos de estar conectados aos sentidos do corpo. Cada vez mais pessoas estão conectadas às máquinas. Nada contra a tecnologia. Mas vale lembrar que é o corpo que se conecta para a adaptabilidade do modo de vida contemporâneo... utilizando a máquina quando precisa para viver melhor.

Que este corpo esteja bem para viver bem!

O primeiro passo é valorizar a importância dos sentidos em nossa vida. Eles são a base do desenvolvimento e aprendizagem. Os primeiros movimentos, a pausa, os ajustes, das partes e do todo, o tônus sendo alimentado pelas sensações em via de mão dupla...aliás, múltipla. Diversos sentidos se retroalimentando para formar o substrato do conhecimento do que somos formados. Como o tônus pode se regular, como o movimento pode ser graduado, dirigido e refinado. Como as informações sensoriais podem influenciar o estado de alerta e atenção. Todos estes aspectos são contemplados por um bom funcionamento do sistema proprioceptivo integrado aos outros sistemas sensoriais, principalmente o tátil e vestibular.
Saiba mais sobre propriocepção

Por isso é tão importante propiciar oportunidades que a criança brinque nos diferentes planos, com intensidades e direções de movimentos, em situações para diferentes ajustes de tônus e percepção do corpo para conhecimento de si e em conexão com o coletivo. Isto irá ajudar a criança  nos diferentes contextos nas habilidades psicomotoras, pedagógicas e sociais.

Por ora vou elencar algumas brincadeiras que têm forte incentivo à propriocepção, mas deve ser considerado que não há  brincadeira que isole um só sentido. Algumas são mais evidentes de propriocepção e tátil, outras propriocepção e vestibular. Vamos considerar que o processo de Integração Sensorial é dinâmico e multissensorial.
Coloco também links de outras postagens relacionadas ao tema.

Aviso aos brincantes: a criança precisa estar envolvida e gostar da brincadeira!!!

1- "Sanduiche" de gente - envolva a criança com almofadas, cobertor ou como no caso desta foto um grande almofadão cheio de bichos de pelúcia macios e/ou almofadas.
Que seja macio, preciso e dê um sentido de continuidade do território corporal.
Que seja lúdico: a criança é o recheio e você irá passar a maionese no cachorro quente, ou o requeijão no pão. Amasse, faça toque com pressão profunda contínua, mexa e remexa. Eles adoram!
Provoque respostas da criança como sair se movimentando, querer ficar quieto, pedir mais.
Esta brincadeira estimula no mínimo o sistema tátil e proprioceptivo a depender da intensidade e  movimento.




Há crianças que precisam de muito estímulo para sentir o corpo e entrar no estado de autorregulação por meio de estímulos proprioceptivos e táteis. Nestas situações deve se ter critérios a depender do Perfil Sensorial e ser supervisionado por um adulto para a segurança da criança. Consulte um especialista em Integração Sensorial para saber mais.




2- Esticar o corpo. Use tecidos elásticos para oferecer resistência e provocar situações diferentes de amplitude e intensidade de  movimento nas articulações. Incentive o espreguiçar. Sempre!


 Mais uma ideia de brincadeira

A seguir brincadeiras para estimular as diferentes formas de contato entre as articulações e uso das cadeias musculares vivenciando os graus de regulação de tônus, manejo do corpo no espaço e tempo, de forma lúdica. Além de estimular a propriocepção estas brincadeiras podem regular o estado de alerta e atenção. Vale a pena ser experimentado também no ambiente escolar.

3- Pular - em superfícies diferentes: seja no chão, na cama elástica, no colchão, na bola, na brincadeira de corda. Pular amarelinha. Corrida de saco.






4-Subir e pendurar-se - em árvores, em brinquedos de parque, no trapézio, em cordas. 







5-Carregar - mochila, objetos pesados de acordo com a possibilidade da criança, no contexto.



6- Empurrar o corpo contra superfícies e com outros corpos.



7- Puxar objetos, brincar de cabo de guerra, puxar água com rodo



Ainda há brincadeiras que colocam em evidência determinadas regiões do corpo com os objetivos semelhantes citados acima.

8- Brincar com os pés. Além das brincadeiras de pular incentive a sentir o contato dos pés com diversos materiais como bambu, sementes, massinha. Faça caminhos sensoriais com brincadeiras de imaginação. Brinque com o equilíbrio, peso, direção e amplitude diferentes dos membros.

Mais sugestões de brincadeiras


  







9- Brincar com as mãos - além das citadas anteriormente de carregar, empurrar, puxar, pendurar e subir há aquelas em que há descarga de peso ou os membros superiores como suporte do corpo para ação e aquelas para atenção para o uso das mãos refinando a coordenação e dissociação .


Jogos com peteca, jogo de raquete, pingpong


  

Atividades artísticas como argila, impressão das mãos, apertar tubo de cola e tinta.


A antiga e tão necessária: "Cama de gato". Dica de livro - passo a passo

10- Brincar com a boca -  estalar a língua, chupar uma fruta, sugar um canudo de voltas, soprar, mastigar alimentos sólidos e brinquedos orais com pressão intra e extra oral. Uso de vibradores orais.

  

Ao terminar de escrever esta postagem fico com uma sensação que muitas brincadeiras de tempos atrás estão caindo no esquecimento. Ao mesmo tempo constato nos atendimentos que muitas crianças estão precisando estruturar melhor o sentido do corpo.
Será que há relação com a mudança de hábitos dos tempos atuais?
Que tipo de brincadeiras estamos incentivando às crianças?

Leia também - Os sentidos do corpo e significados