quarta-feira, 30 de julho de 2014

Disfunção de Processamento Sensorial no Transtorno do Espectro do Autismo - TEA

Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

"Não há como escapar à fome da alegria!"

Ao ler o poema da Adélia Prado, " A menina e a fruta", esta frase ficou reverberando em mim. Não só como ensinamento de vida, mas principalmente  pela compreensão que atribuo ao comportamento de algumas crianças com quem convivo em meu dia-a-dia como terapeuta ocupacional.

A imagem-sensação foi se construindo pela lembrança cúmplice do corre-corre  sem destino e direção de algumas crianças, de seus gritos, choros ou o riso mal compreendido. Até mesmo o não poder olhar de frente para o outro, tipo olho-no-olho,  o balançar incessantemente das mãos ou o bater repetidamente em seu corpo e nos objetos. Aparentemente, atitudes sem função.

Todo comportamento tem um significado

O que fazemos quando não estamos no estado de equilíbrio ou fora de sintonia ? 


Do ponto de vista da teoria de Integração Sensorial há crianças com dificuldades em processar as várias informações sensoriais que acontecem o tempo todo no ambiente e em seu corpo. E uma parcela com Transtorno do Espectro Autista.

É comum adotarem comportamentos não reconhecidos socialmente devido a diversos motivos, tais como:

- necessidade de se proteger da sobrecarga de estímulos sensoriais. Pentear o cabelo ou alimentar-se pode se tornar uma situação aversiva.
- procura demasiada pelos estímulos  sensoriais para validar a percepção das informações.      Balançar-se pode alimentar a sensação do próprio corpo.
- inabilidade para integrar mais de uma informação sensorial. Olhar para o outro enquanto fala requer a habilidade de integrar várias informações.
- dificuldade no planejamento motor. A organização do corpo no tempo e espaço começa pelo ensaio do domínio corporal, que, no mínimo, é sensório-motor.
- dificuldade de organizar-se quando muda rotina ou o ambiente. Morder-se, bater e gritar pode ser uma forma de expressar a inabilidade de entender as mudanças do tempo e espaço.
-dificuldade em brincar e comunicar-se. O  desenvolvimento natural destas habilidades depende da autorregulação neurológica para incorporar a dimensão social.

A Terapia de Integração Sensorial começa pelo entendimento das necessidades e desejos da criança.
Compreendendo a causa pode se criar condições para aprender a lidar com a realidade em que vive.
Nesta abordagem terapêutica não queremos "consertar" nenhum comportamento. Queremos chegar a um ponto que tais comportamentos sejam minimizados em prol da ampliação de horizontes.
Que tais atitudes não sejam mais o foco, mas sim, o desenvolvimento das habilidades.
Criamos um ambiente onde a criança possa descobrir novos jeitos de relação com seu próprio corpo e o meio com brincadeiras sensoriais que, aos poucos, ajudam a maturidade neurológica. Durante o programa a criança irá conhecendo sobre ela, do que gosta, e do que é possível, inclusive transpondo para além da terapia. A família também passa a conhecer os recursos em que a criança pode usar na escola e em casa para melhorar o estado de presença nos diversos meios em que convive.



Retomando a frase da Adélia Prado eu diria que alguns comportamentos podem refletir a fome ou a falta de algo, e que, às vezes, podem ser as condições mínimas para brincar e comunicar... como a alegria!

Propiciar essas condições me faz ter a certeza que este tipo de terapia não é para condicionar, mas sim para descondicionar um padrão que foi estabelecido devido a alguma dificuldade.
Acreditando que o caminho é pela, para e a partir da própria criança.
Quer saber mais? Acesse outras postagens no blog

Segue abaixo o link referente a mais um estudo relacionando as dificuldades de pessoas com autismo na área de processamento sensorial. Alguns comportamentos sociais diferentes surgem daí.
Por isso é necessário uma avaliação de um terapeuta ocupacional especializado em Integração Sensorial para compor um programa adequado para cada criança.

Link do "Reab me" sobre o estudo das alterações no processamento sensorial no autismo

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Brincadeiras para simbolização. Materiais inusitados. Por que não?

"Mãos ao alto!"
Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO
Quando o imaginário da criança é ativado um arco-íris se faz!

Há momentos na vida da gente que vibramos lá dentro, e bem fora também... um brinde às escolhas!
Escolha em ser terapeuta, na confiança do vínculo, na abertura da criança ao novo... e nas incertezas do acaso do encontro... na brincadeira.
Um bom motivo para ser terapeuta ocupacional!!!

Havia ali um esqueleto e pela fresta da porta aquele menino falou: "caveira" em uma forma que de início não dava para entender. Mas insistentemente como quem queria um doce de festa ele não desistiu. Eu que nem imaginava que na idade dele seria interessante entrei na brincadeira... e a "caveira" entrou na nossa brincadeira.

O início - inspeção por todos os buracos e partes. Coisas que nem sempre podemos fazer em um ser vivo.


O recheio - de que somos feitos? Minuciosamente interessante...ossinhos, ossos grandes

          

Simbolizando..."tchi, tchi". Esta foi a maior surpresa! Quem estava ainda em fase de aquisição para simbolizar pegou uma caneta que virou uma arma, gritou mãos ao alto e a "caveira "  se rendeu ao imaginário.

"Não se mexa!"

E ainda tem mais...pela motivação da criança e empolgação da terapeuta teve até representação.

As costelas
Desenhando o esqueleto, quer dizer, "a caveira"

Poderia escrever aqui inúmeras coisas sobre sinais e sintomas, diagnósticos, mas isso não é o principal dessa história. Creio que o menino aprendeu e a terapeuta também. Ambos estavam envolvidos e atentos em um mesmo lugar.
Lugar de brincar!  


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Alimentos sensoriais - sistema tátil

 Caixa de arroz colorido - muito a sentir, mexer, perceber, brincar e criar!

Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Um mar de sensações e ideias

Este é um dos materiais mais simples e de múltipla utilidade na clínica e na educação.
Para qualquer idade, gênero e inúmeros propósitos.

Eis alguns deles:

-só em colocar as mãos ou os pés na caixa cheia de arroz já estimula noções do corpo, sensação e percepção. A partir do movimento é também uma forma de estimular a propriocepção.
Dependendo do objetivo e idade pode ser estimulado a discriminação da  percepção corporal e de objetos. E o melhor, regulando o tônus.

-tenho usado também com adultos na Eutonia. Proporciona outra referência indo além da experiência tátil. Experimente e se deleite.
Certa vez uma criança comentou que a sua mão ficava mais macia.



-para crianças com hipersensibilidade tátil - por ser colorido e de toque suave torna-se convidativo para brincadeiras de colocar as mãos, os pés, sentir os dedos mexendo na superfície e profundidade. Ampliando o repertório de sensações táteis.

-na brincadeira de achar os objetos escondidos no fundo da caixa sem o auxilio da visão a criança vai refinando o aparato sensório-motor e perceptivo. O que é preciso fazer com as mãos para encontrar o objeto? E como manipular o objeto na mão para reconhecê-lo? Parece fácil mas requer maturidade neurológica.



-podemos fazer desenhos e escrita usando pouco arroz no recipiente, com os pés e mãos.




-o arroz pode passar a ser um mar ou rio para pescaria. Usar o imaginário para ações de coordenação motora, planejamento motor, coordenação viso motora podendo ser combinado ao equilíbrio nas diferentes posturas e planos. Na terapia de Integração Sensorial podemos combinar o uso de balanço suspenso que se transforma em barco.




Pela vivência sei que para cada um toca de um jeito, e é tocado. O bom é escutar como cada pessoa entra em contato com este material e qual o efeito que se propaga, desde o mais físico até o imaginário.

E então, se você já experimentou este material qual a sua brincadeira preferida?

Como fazer:
Usei 5 kg de arroz, 3 cores de anilina comestível e colori no arroz embebido com álcool, separadamente. Rápido, fácil e ainda fica mágico podendo ser feito com a criança. Depois de seco mistura tudo e coloca em um recipiente fundo.







quarta-feira, 30 de abril de 2014

Terapia ocupacional em crianças com TDAH

"...você é médica? vai me ajudar a parar o meu corpo?"
Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670
Nada melhor do que escutar quem entende do assunto: a própria criança. Ela nos dá a dica do que não anda bem em sua vida.
Este é o questionamento de um menino de 5 anos de idade iniciando um programa de terapia ocupacional na abordagem de Integração Sensorial. Diante dos materiais disponíveis na sala Marcos* escolheu brincar de se pendurar no trapézio e cair em um colchão inflável na contagem "1,2, 3 e já", gritando a "palavra de guerra" escolhida por ele.
Combinamos previamente e planejamos como seria a brincadeira.
Para isso acontecer foi necessário a minha mediação para Marcos poder selecionar os materiais, sustentar a atenção aos passos da construção da brincadeira, bem como lembrar sobre o cuidado com sua segurança. Só durante a ação descobriu que precisava subir em algo como um puff para alcançar o trapézio. Que era necessário uma certa distância entre o puff e o colchão para conseguir acertar o pulo no alvo. E que precisava se manter por um tempo se pendurando pelas mãos percebendo o tempo da contagem até se soltar e cair. Percebeu ainda que era difícil falar a palavra enquanto pulava, preferindo só pular.
Fiquem atentos a todas necessidades para a participação de Marcos na brincadeira.
Depois propus para ele registrar a brincadeira por um desenho mas não foi possível para ele, por enquanto.
No meio da brincadeira me chamou atenção a elaboração de sua pergunta:
M- " isto faz parar meu corpo?"
Eu- " você está falando sobre o que?"
M- " ...essa brincadeira...você é médica? vai me ajudar a parar o meu corpo?"...e conversamos sobre o que estava lhe angustiando e o motivo de ele vir a terapia ocupacional.
Marcos apresenta excelente nível intelectual e veio indicado pela escola devido a quedas frequentes e dificuldades de atenção.
A aparente simplicidade desta brincadeira requer muitas habilidades, dentre elas: domínio do próprio corpo, e do corpo no ambiente; evocar uma intenção e formular uma ideia, implícita a motivação; ativar a memória; dirigir, focar e sustentar a atenção; planejar, selecionar os materiais e estratégias para se chegar ao objetivo; inibir uma ação para priorizar a principal; habilidade para iniciar, prosseguir e finalizar ações sequenciais de modo integrado do seu corpo com o meio.
Muitas destas habilidades são difíceis em crianças com sinais sugestivos de Disfunção de Processamento Sensorial, presente em algumas crianças com diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Trouxe este comentário para ilustrar o quanto algumas crianças desde tão jovens passam por momentos em que se vêem não correspondendo a si próprio ou aos pais, professores e amigos devido às alterações no modo como recebem, modulam ou processam as informações sensoriais.
Muitas famílias trazem como queixa as quedas frequentes, inquietação, "preguiça", falta de atenção, atraso na aprendizagem da leitura e escrita, preferências por brincadeiras muito infantis e falta de organização nas atividades de auto cuidado, às vezes com prejuízo na interação social.
Este assunto envolve vários aspectos emocionais, cognitivos e sensoriais. É difícil até para as famílias escolher o tratamento mais adequado principalmente quando é necessário uma equipe multidisciplinar.
Acredito que podemos começar escutando as necessidades da criança e das pessoas que se relacionam com ela, e a partir daí ir em busca de diagnóstico e intervenção terapêutica. Em crianças com TDAH, a depender do caso, é necessário entrar com medicação por indicação médica como auxílio, mas não esquecendo de valorizar o apoio à criança no sentido de favorecer uma qualidade melhor de relação dela no meio em que vive, seja na escola, em casa ou no meio social.
Neste último entra o papel do terapeuta ocupacional criando um ambiente com oportunidades onde a criança irá vivenciar o seu corpo no campo sensório motor, elencando brincadeiras junto à criança para integrar corpo, atenção e memória, organizando no tempo e espaço.
Do concreto ao abstrato.
Do real ao imaginário.
É a cognição ligada a vivência corporal. Essencial para as funções executivas.
É do corpo que se começa e que constrói  a história...

Integrando os sentidos do próprio corpo no contexto lúdico

  

Quer saber mais? Leia também


Marcos - nome fictício

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dica de brinquedo para coordenação motora e propriocepção


Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Anda-duo da New Art Toys. Comprei recentemente. Aprovado!
Ideal para crianças, adolescentes e adultos para desenvolver a coordenação motora enquanto se divertem. Vivenciando o equilíbrio e desequilíbrio.
Refinando a propriocepção: combinando o passo com o outro se trabalha a frequência, intensidade, direção e amplitude de movimento, além de favorecer a transferência de peso e lateralidade. 
Tudo isto estimulando a atenção e ação colaborativa com o outro.
Quer mais?
Na prática de Integração Sensorial experimentei até agora especialmente no trabalho com crianças com dispraxia e as que precisam amadurecer nas questões de integração bilateral e sequenciamento.
Estava também procurando algo divertido para quem precisa da consciência de flexão de joelho no passo e dominar o ritmo no andar. Achei!
Lembrando da máxima: " só dominamos o andar de fato quando aprendemos a parar" ou ainda "dosar o passo".
Bom trabalho e diversão.
link da NewArtToys

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A terapia de Integração Sensorial com bebês prematuros

Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Os primeiros anos de vida formam a base da formação da personalidade, inclusive desde os meses gestacionais. Nesta afirmação não há intenção em determinar destinos, mas pelo contrário olhar para as inúmeras possibilidades da construção dos modos de viver. 

O modo de sentir, agir e pensar são interdependentes formando como em um caleidoscópio interações contínuas, instantâneas que se perduram e se reciclam durante toda a nossa vida.

Sentir, agir e pensar têm implícito o corpo com toda a sua história subjetiva e social. Tem começo e fim. Recheado de meios que são influenciados por inúmeros eventos. 
O nascimento é um deles. E tão importante!

Algumas famílias passam por momentos difíceis em gestações de alto risco e, por vezes, nascimentos prematuros. Além do risco da sobrevida podem ocorrer situações não previstas como os cuidados do neonato na UTI por complicações respiratórias, e até alguns eventos de cunho neurológico. 

O sistema nervoso é uma rede delicada e complexa responsável por toda a conexão interna e externa do ser humano. Considerando toda a capacidade do sistema nervoso de se recuperar de algum trauma, temos que contar também com os eventos em que alguma conexão cerebral foi estabelecida de forma diferente ou imatura e pela qual será necessário de ajuda específica.

Muitas vezes por serem tão pequenos, a consequência dos "acidentes" neurológicos se tornarão visíveis mais tarde na vida da criança, por exemplo em dificuldade de coordenação, em relação a atenção nas atividades escolares, entre outras. Entretanto, é comum quando colhemos a história dos primeiros meses de vida ouvir da mãe como era diferente o sono ou a hora de mamar, na atitude de sentir as texturas, ou de se movimentar. 

Vamos lembrar que isto não é lei. São referências da escuta dos pais em anos da minha prática, mas que se comprovam pelos inúmeros estudos. 

É possível que algumas crianças prematuras, e seus pais, passem por períodos em que necessitem de ajuda para organizar  o cotidiano principalmente em relação aos primeiros cuidados básicos como sono, alimentação, banho, troca de fraldas e roupa, interação e brincar.

Devido a tudo isto, é recomendável que toda criança que tenha tido algum sofrimento antes, durante ou após o parto seja acompanhada nos primeiros anos de vida, no mínimo pelo pediatra e, se o mesmo não fizer avaliações periódicas para seguir de perto o nível de desenvolvimento neuropsicomotor, que encaminhe a um profissional especializado por uma medida preventiva.

Como a terapia ocupacional pode ajudar?

Por meio da escuta dos pais, observação do desenvolvimento da criança e complementando com avaliações específicas, é possível perceber se há necessidade de acompanhamento, e em que área. 

Se houver necessidade de intervenção o terapeuta ocupacional dará dicas para melhorar a qualidade de vida da família, como perceber as reações da criança de acordo com a faixa etária, orientar em como prosseguir nos horários de cuidados básicos e de interação com a criança. Sugerir formas de contato e brincadeiras e, se necessário, readaptação da rotina, entre outras. 

A terapia de integração sensorial ajudará a entender como se dá o processo da autorregulação da criança nos diferentes horários, na interação com as pessoas, nas atividades e ambientes e, se houver algum sinal de dificuldade no processamento das informações sensoriais, criará um programa com brincadeiras para que a criança siga seu desenvolvimento com o mínimo de estresse. As atividades serão de acordo com o contexto significativo de cada criança e sua família.

Brincar graduando os desafios sensório motores e as ofertas dos estímulos sensoriais.
Ampliando territórios.

Fiquem atentos, pois desde a época mais precoce podem aparecer os primeiros sinais de alteração de Integração Sensorial no desenvolvimento!

Quais os sinais importantes para perceber se algo não está de acordo? 
Já falei  tanto em postagens anteriores que vou colocar os links para cada um acessar de acordo com o interesse.

Quando a terapia de Integração Sensorial pode ajudar
Choro excessivo e Dicas gerais
Atraso de desenvolvimento
Recusa alimentar
Cuidados básicos - Banho

Aproveito para deixar o link de um estudo referente ao assunto publicado no Jornal de Pediatria que conclui: "Crianças prematuras estão mais susceptíveis a prejuízos de desenvolvimento nas áreas motora, de comportamento e de desempenho escolar, quando comparadas a crianças a termo. Esses prejuízos são modulados por fatores biológicos e ambientais, que determinam sua intensidade".
Efeitos do nascimento prematuro

sexta-feira, 18 de abril de 2014

"Eutonia, a pele consciente" na vida de uma terapeuta ocupacional


Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO
Como algumas pessoas já sabem fiz especialização também em Eutonia. 
Parece que gosto de metodologia que muitas pessoas não tem a noção do que se trata?
Não é bem isso. 

A Terapia Ocupacional, Integração Sensorial e a Eutonia (as quais me formei e vivo há alguns anos) são práticas que lidam diretamente com a qualidade de vida do ser humano, que têm uma embasamento teórico bem preciso. 

A Eutonia teve um diferencial a mais, pois na formação cada aluno precisa viver o processo em si para depois poder se formar como Eutonista. Não é uma metodologia "passada", mas vivida na própria pele...ossos, músculos...no espaço interior com e no espaço exterior levando a um desenvolvimento da consciência corporal nas diferentes dimensões.

Apesar destas práticas, e talvez por isso, não terem um reconhecimento amplo na mídia, elas tratam de questões do nosso dia-a-dia. É tão simples, causal e consequente que pode escapar das nossas vistas. Possivelmente porque está sempre aqui, no meio de nós, consciente ou não: como podemos manejar melhor a nossa vida conhecendo o nosso modo de ser, o próprio corpo, acolher as particularidades, as similaridades com os outros. Como podemos regular o tônus diminuindo o estresse da vida nas grandes cidades, como podemos prevenir dores, ampliar repertório de  movimentos, sentidos e interesses... compartilhar habilidades e emoções. 

Estas são algumas razões que escolhi este caminho profissional que está implícito lidar com o prosseguindo da evolução de muitas vidas.

Quer saber mais sobre Eutonia? 
Leia um trecho do texto da Màrcia Bozon. Muito bom. Segue o link abaixo.
"A eutonia parte do princípio de que todo organismo vivo tem a capacidade nata de autorregulação, pois durante um único dia vivemos inúmeras situações, sendo que em cada uma delas são produzidas múltiplas alterações fisiológicas em nosso organismo, provocando mudanças no nosso estado geral no que se refere, por exemplo, à nossa disposição ou indisposição para a ação, nosso nível de atenção ou de dispersão, nossa sensação de tensão (nervosismo, ansiedade) ou relaxamento (calma, tranquilidade), etc. Cada um destes estados possui padrões próprios de funcionamento que são, por sua vez, variáveis e transitórios, dependendo do momento e das circunstâncias, sendo que muitas vezes nosso corpo efetua operações complexas sem que tenhamos consciência de como isto está ocorrendo.
A eutonia nos propõe uma prática de atenção aos processos corporais, desde a tomada de consciência das nossas características físicas (peso, volume, forma corporal, presença da pele, da estrutura óssea, etc.), passando pela relação com o ambiente e todos os estímulos dele provenientes, até a atenção sobre os processos subjetivos que acompanham os estados corporais como os sentimentos, os pensamentos e as emoções. Trata-se, portanto, de uma abordagem somato-psíquica do ser humano, a qual considera que os processos corporais estão diretamente interligados aos processos mentais, emocionais e psíquicos."