quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Do pião ao Ipad– recursos lúdicos para desenvolver a habilidade motora fina em crianças com dificuldades no desempenho escolar

Ana Elizabeth Prado
Credito 3/1670 TO

Atualmente existe uma grande procura à terapia ocupacional para a melhoria das habilidades de coordenação motora fina. As defasagens de escrita encontradas em algumas crianças podem interferir no desempenho escolar. Além disso, é comum encontrar dificuldades na independência das atividades de autocuidados, como dar laço no cadarço ou alimentar-se de forma autônoma.
Sabemos que a imaturidade do desenvolvimento da habilidade manual está ligada a fatores orgânicos e/ou ambientais. Quando recebemos na terapia ocupacional crianças com este tipo de defasagem são consideradas as aquisições sensório-motoras, como se dá a organização corporal nas diversas ocupações diárias, e em que contexto sociocultural a criança vive.  
Estamos vivendo numa época em que o uso do corpo vem se modificando e a grande oferta de tecnologia no cotidiano nos faz cada vez mais mudar nossos desafios motores. As situações-problemas tão necessárias para o aprendizado sensório-motor provavelmente estão migrando para outras áreas. Não é para se tirar o valor desta rica evolução. Mas sim ficar atento em como fazemos uso de toda a rica habilidade natural do nosso corpo e de toda tecnologia que está à disposição.
Terapia de Integração Sensorial
Como se dá o papel das brincadeiras nos tempos de hoje para o desenvolvimento da coordenação motora?  A habilidade manual é incentivada nas ações cotidianas?
Por que é esperado, e muitas vezes exigido, que uma criança tenha letra “bonita” se ela pouco vivencia descascar uma mexerica, desenroscar uma tampa de pasta de dente, subir em um tronco de árvore ou fazer bolinho de areia no parque?
Valorizar momentos em casa ou no parque para experimentar fazer junto e com múltiplos estímulos.
 As entradas sensoriais estão presentes no nosso dia-a-dia e refinam a coordenação motora 

A minha dica de hoje é: nesta era de inclusão vamos continuar valorizando brincadeiras antigas ao lado das atuais que usam ferramentas tecnológicas. Enquanto surgem mais aparelhos eletrônicos por que não podemos também continuar resgatando e criando jogos que favoreçam vivências ricas sensoriais e motoras? Incluir o velho ao novo.
Do pião ao Ipad. Cada um tem seu valor se devidamente brincado na proporção que o corpo precisa para crescer.
App sociointerativo: jogo de botão no Ipad.
Não substitui o antigo. Cada um tem aspectos diferentes a serem vivenciados.
É  sempre bom lembrar como é importante a participação ativa das crianças nos desafios do fazer cotidiano. O nosso dia-a-dia é uma grande rede onde acontece tudo como conduzimos nossa vida.
Chá de bonecas: um belo exercício de coordenação motora fina.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dica de brinquedo para crianças do espectro autista


Segue o link que foi postado na reabcognitva sobre o Build-a-Robot.
A empresa brinquedos Plano Thailandesa ganhou o prêmio de design ”Good Design Award 2011″ na categoria produtos para crianças.
Vale a pena ler a matéria e conhecer a versatilidade do brinquedo.
Quem tiver experimentado, que nos conte.




http://www.reabilitacaocognitiva.org/2012/01/brinquedo-premiado-para-criancas-autistas-dica-de-material/

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Muito além da Síndrome de Asperger


O filme "Mary e Max - uma amizade diferente" fala de um encontro de duas pessoas que se tornam amigos. Max descobre que tem Asperger. Mas o principal da história é sentir a amizade sendo construída no pano de fundo do autoconhecimento e aceitação da própria individualidade de cada personagem e a entrega do par.
O filme é belo e emocionante. A arte na vida. Vale a pena assistir!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Aplicativo para melhorar habilidade motora fina

Pais e profissionais, viva a tecnologia a nosso serviço!!!
Recebi a notícia deste aplicativo daqui http://www.reabilitacaocognitiva.org/tag/aplicativos-iphoneipad/

O Dexteria tem recursos diferentes para trabalhar os subitens da coordenação motora fina: dissociação de dedos, espaço visual, integração bilateral, relação espacial, pinça madura, entre outros. Dá para brincar em vários níveis e até conferir o relatório de tempo para acompanhar a evolução. E as crianças  ficam motivadas.
Bem, já que não dá para ir à praia e catar "maria-farinha" ( quem for de Recife sabe do que estou falando) vamos ao Ipad.
Ah, imagina usar a "galinha feita de meia" da postagem anterior e fazer o jogo da pinça. Arrasou!
Quem quiser saber mais segue o link
http://www.youtube.com/watch?v=qqvtvBn3hzU

domingo, 18 de setembro de 2011

Material reciclável para coordenação motora fina - incentivando o uso da pinça superior


Adoro quando me enviam sugestões de materiais recicláveis. E com um fim muito útil fica ainda melhor. Esta foi da minha amiga TO Eliane Mendes, que mora lá na minha querida cidade natal, Recife.
Sabe aquela meia que ficou sem par ou que não cabe mais no pé? Pois é, faça uns furinhos para os dedos indicador e polegar. Faça um acabamento legal e está feita uma galinha simpática a ser usada para incentivar a pinça. As crianças adoram colocar a galinha para bicar e pegar coisinhas.


E você pode incrementar com mais criatividade a hora da brincadeira com outros dispositivos também reaproveitáveis. Aqui Eliane usou uma agulha de tricô e bolou um suporte para preensão.
Valeu a dica. Boas invenções para todos nós. As crianças agradecem!


 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Hipotonia resultante de disfunção do processamento sensorial – como a terapia ocupacional pode ajudar

Ana Elizabeth Prado
Credito 3/1670 TO

Há muitas origens e causas da hipotonia, algumas congênitas outras adquiridas. Nem sempre é fácil de diagnosticar, e principalmente quando a hipotonia leva a alterações muito além do aspecto motor.
Vale lembrar que nós amadurecemos numa relação contextual de vida. Estamos sempre em conexão com o meio externo e, interno, simultaneamente. Para isso temos um corpo que se estrutura ao longo da vida para poder fazer esta integração.
E quando o corpo amadurece em um tempo e de um jeito diferente da grande maioria? Ou ainda, quando o meio externo não favorece uma “chamada” para este amadurecimento?
Temos estruturas do sistema nervoso que são responsáveis pela regulação do tônus e que estão ligadas a outras estruturas centrais e periféricas do corpo criando mensagens para o ser humano se adaptar aos desafios da vida. O corpo age de “comum acordo biológico” para naturalmente tudo funcionar colaborando, sobretudo para a sobrevivência.
Mas nem sempre isso acontece com fluidez. Por vários motivos. Um deles pode ser pelo código genético com cromossomas que marcam um tipo de tônus. Outro jeito pode ser adquirido por fatores externos e internos afetando o funcionamento orgânico.
Dentre as causas da hipotonia encontramos a disfunção do processamento sensorial que tem origem nas estruturas do sistema nervoso central interferindo, no mínimo, nas etapas de maturação sensório-motora.
Como o desenvolvimento se dá pela cooperação quando algo não amadurece no tempo ou de forma harmônica há também uma interligação de fatores para se configurar o comportamento. Um processo engendra o outro.
Um tônus diminuído pode levar a criança explorar o espaço de forma “econômica” e isto pode levar a uma criação de repertório cognitivo em defasagem com o grupo. Um comando cerebral que regula o tônus muscular de forma inconsistente pode ser responsável também pela criança não ter inciativa em brincar de forma autônoma. Quando o estado de alerta estiver alterado pode resultar em dificuldade de sustentar a atenção numa brincadeira ou na interação social. Desta forma percebemos como o sensorial age sobre o motor e este sobre o cognitivo, e cada um sobre os demais.
Para saber a melhor forma de intervir seja no contexto clínico, nas brincadeiras em casa ou na escola é importante investigar qual a causa e o grau de hipotonia para conseguirmos influenciar na qualidade de desenvolvimento da criança.
Quando houver um ou mais dos seguintes sinais aliados a hipotonia é aconselhável passar por uma avaliação de terapia ocupacional com formação em Integração Sensorial:
-atraso de controle postural.
-alteração do estado de alerta e atenção
-dificuldade nas atividades diárias como alimentação, higiene, vestuário, inclusive a hora de dormir, acordar e sair de casa
-defasagens na coordenação motora ampla e fina
-defasagem no brincar
-alteração na interação social e estado humor
-defasagem escolar, em idade precoce ou tardia. Muitas atividades pedagógicas precisam de uma prontidão corporal para sustentar a atenção, planejamento, e coordenação motora global e fina.
-alteração em outros sentidos como do equilíbrio, tátil, auditivo e/ou visual.
Muitas vezes sintomas de “defensividade sensorial” como intolerância a alguns estímulos inclusive mudanças de posição e pouca habilidade de interação não são investigados prevalecendo a maior atenção somente ao impedimento motor.

Como a terapia de Integração Sensorial pode ajudar

 

 

Dentro da abordagem de Integração Sensorial sabemos que os sentidos vestibular, tátil e proprioceptivo tem grande influência no estado de alerta, na qualidade da atenção, no desempenho das aquisições motoras e nas demais modalidades sensoriais afetando, e sendo afetados pela regulação tônica.  O desenvolvimento se dá pelo funcionamento dos sistemas interligados: motor, sensorial, emocional e social.
Pode se chegar a uma melhor qualidade de tônus principalmente pelas combinações graduadas das informações sensoriais em um contexto de brincadeiras livres ou com um fim específico.
A terapia de Integração Sensorial é construída por meio de situações lúdicas para a criança conhecer e aprender a usar de forma integrada o seu corpo no tempo e espaço adequado para envolver-se nas atividades significativas a ela.

Sugestões para o dia-a-dia

Brincadeiras que favoreçam vivência proprioceptiva como pular, balançar, puxar, carregar. Subir em árvores e brinquedos de parque.
Aprender a sustentar seu corpo nas diversas posturas, de bruços, de lado, sentado, em pé, sempre no contexto lúdico.
Brincadeiras com músicas que favoreçam ritmo. Estabelecer início, meio e fim. Aprender a passar pelos momentos de transição, começar e parar.
Favorecer boas experiências táteis como massagens, toque corporal com pressão, poder se sujar, fazer comidas em grupo.
Brincar com massa de  modelar, argila e demais materiais de artes plásticas.
Ter sempre por perto para as brincadeiras: almofadas, massageador, bichos e bolas com diferentes pesos, formas e texturas
Quando for possível usar canudos, instrumentos de sopro e alimentos mastigáveis
Sentar em superfície firme e com pés apoiados. Sempre ver se o tipo de material favorece um contato para firmeza e sustentação do próprio corpo.
Vale salientar que tudo deve estar ao alcance da criança a depender da fase em que se encontra, dos seus desejos e possibilidades. A prioridade é o sucesso da criança.

domingo, 24 de julho de 2011

Calça para posicionamento de bebês e criança pequena. Reutilize aquela calça velha jeans para brincar!

Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Essa idéia não é minha. Há muitos anos atrás a pedagoga Úrsula Heymeier me contou que uma avó a ensinou a aproveitar calça velha jeans para colocar os bebês. Desde então sempre uso com as crianças e passo adiante às famílias. É indicada para qualquer bebê como também para aqueles que tem alguma disfunção neuromotora e/ou sensorial.
Como fazer:
É necessário encher uma calça jeans com retalhos e/ou flocos de espuma. Fechar costurando as aberturas. A idéia é encher uma almofada em forma de calça. A partir daí vai da criatividade e do material que tiver disponível e, de preferência, que seja reutilizado o que já tem em casa. Pode ser aplique de tecidos com textura diferente, amarrar brinquedos com sons, cheiros e cores para o bebê explorar e aproveitar os momentos em que estiver na calça.
A versatilidade da forma da calça (pernas e parte do abdômen) possibilita um uso dinâmico favorecendo posturas funcionais para as vivências sensório-motoras. 
Para dormir, brincar, sentar, ficar de bruços e em várias posições.
E o melhor: gastando bem pouquinho!
Brincando de lado com alinhamento corporal

Brincando de bruços

Brincando sentado e fazendo as explorações de suporte