quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação

O Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação(TDC) geralmente interfere no desempenho do brincar, nas atividades de auto-cuidados e pedagógicas
Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO
O que é Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação?
"Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC) ocorre quando há atraso no desenvolvimento de habilidades motoras ou dificuldades para coordenar os movimentos, que resultam em incapacidade da criança para desempenhar as atividades diárias...as características das crianças com TDC geralmente são notadas primeiro por aqueles mais chegados a elas, pois as dificuldades motoras interferem no desempenho acadêmico e/ou nas atividades de vida diária (ex.: vestir, habilidade para brincar no parquinho, escrita, atividades de educação física)". 
Essa e outras informações acesse o link abaixo que é uma tradução muito boa do manual elaborado no Canadá que relata de maneira clara como entender o comportamento de crianças com TDC e dá dicas às famílias e professores.
Para complementar, aqui no Brasil, atendo crianças que muitas vezes vêm sem diagnóstico médico ou que já passaram por outras terapias sem sucesso e ao serem avaliadas é comum encontrar sinais de alteração no processamento sensorial onde vejo na prática que a terapia de Integração Sensorial ajuda e muito a aprender novas formas de organizar o esquema corporal no fazer cotidiano e  no desempenho escolar.
Geralmente as famílias trazem quando as crianças não conseguem acompanhar as atividades escolares mas relatam as dificuldades anteriores nas tarefas cotidianas e sociais.


Além dos recursos de integração sensorial é frequente precisar de outras abordagens específicas para melhoria das habilidades de coordenação motora fina, percepção visual e atividades da vida diária




quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Dificuldades de Aprendizagem - a terapia ocupacional também pode ajudar

Integração Sensorial- brincando com desafios para as conquistas
Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Existem muitas causas para as dificuldades de aprendizagem, como também diversos diagnósticos associados que podem ir desde um atraso escolar até alterações neurológicas mais comprometidas. Muitas vezes há uma combinação de fatores genéticos e ambientais que contribuem para a alteração no desempenho escolar. 
Diante de tanta diversidade de graus e formas de se manifestar é necessário fazer um diagnóstico cuidadoso e, a depender da criança, ter uma avaliação multidisciplinar.
Dentre as inúmeras causas podemos encontrar crianças que não estão bem na escola devido a algum transtorno de coordenação motora e processamento sensorial. 
Como ainda é relativamente novo, aqui no Brasil, se falar em processamento sensorial, muitas vezes vemos profissionais generalizando os sintomas ora colocando tudo sob ponto de vista emocional e ora sob o ponto de vista de treino de coordenação. Não se trata de excluir ou fechar estes campos mas sim fazer um diagnóstico diferencial para de fato seguir o tratamento mais adequado para cada criança.
A terapia de Integração Sensorial é um dos tratamentos no qual a terapeuta ocupacional usa esta  abordagem de sustentação para a melhora de desempenho escolar da criança. Para isso é necessário ser feita uma avaliação específica para identificar se a dificuldade de aprendizagem se deve a alguma falha no processamento sensorial.
Quais os sinais que indicam a necessidade de uma avaliação? Acesse este link para saber mais

http://terapiaocupacional-bethprado.blogspot.com.br/2011/02/terapia-de-integracao-sensorial.html

É importante deixar claro que algumas crianças com dificuldades de aprendizagem podem apresentar transtornos de coordenação motora, dificuldades de atenção e comportamento social, todos com base na alteração do processamento sensorial. Estas crianças precisam lidar com o seu corpo em situações diversas numa terapia que contemple estes aspectos e que favoreça o melhor nível de alerta, de regulação tônica e sensorial, a partir das escolhas dos recursos terapêuticos para esses fins.

Baseado na avaliação o programa é construido junto com a criança contando com as acomodações sensoriais necessárias para o melhor desempenho  no brincar, nas atividades da vida diária, pedagógicas e sociais. A brincadeira sempre faz parte do tratamento.

                                                                Sugestão de jogo

Neste jogo de propulsão no chão sobre a prancha de rodas o desafio é empurrar a bola com a raquete passando por entre os obstáculos sem bater, até lançar a bola para o gol.



Quem puder contribuir dizendo o que está sendo vivenciado nesta brincadeira faça um comentário.
Se não, pense quais são os elementos sensoriais, perceptivos, motores e cognitivos deste jogo? Vale também falar do emocional, social e as variações que voçê faria.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Integração Sensorial - brincando com recursos sensoriais

Na luz do túnel
   Ana Elizabeth Prado 
Crefito 3/1670 TO

Sim, é um túnel de malha onde a criança, que queira, é claro, e a que precisa, entra na brincadeira pela sensação de estar envolvida e também de poder se movimentar de modo diferente sentindo todo o seu corpo.

O intuito aqui não é tecer todas as instâncias que estamos lidando ao entrar, ficar e sair do tubo mas sim lembrar que existem diversas opções para todos em conhecer o corpo por entradas sensoriais, estando o corpo parado e em movimento.

Perceber as preferências e as necessidades sensoriais de cada pessoa é uma tarefa básica e ao mesmo tempo natural de um terapeuta ocupacional que trabalha com Integração Sensorial.

Este tubo de malha permite que uma grande extensão do território corporal receba a entrada sensorial tátil e proprioceptiva no corpo inteiro favorecendo um sentido de unidade. As cadeias musculares são chamadas para ação de propulsão e coordenação de movimento.
Esta brincadeira não é fácil! Mas há quem goste e que queira repetir.

O tônus muscular muitas vezes pode se regularizar por entradas sensoriais adequadas para cada perfil sensorial contribuindo para o equilíbrio do estado emocional e contato social.

Muitas crianças que apresentam alteração de processamento sensorial (Dificuldades de Aprendizagem, Espectro Autista, TDAH, entre outros) podem precisar e gostar de ficar em espaços pequenos para regular o estado de alerta e estar em conexão com o ambiente de forma mais cômoda.
Ao sair da malha tubular a maioria das crianças apresentam uma prontidão no estado de alerta e melhor nível de atenção para atividades que exigem integração corpo/linguagem/percepção.

A ludicidade ajuda a superar certos desafios.

Existem variações do uso da malha. A depender da idade pode ser menor de comprimento; a entrada e saída pode ter um aro para ficar mais larga. A terapeuta ou a mãe pode entrar junto com a criança. A malha ainda pode ser uma parte de uma história infantil com aventuras onde aproveitamos para organizar o planejamento motor e funções simbólicas.
Vale adaptar tendo em mente a melhor forma de brincar. Só não vale colocar a criança se ela não quiser.  Por isso deve ser avaliada a indicação e maturidade de quem for usar.

Quer saber mais?
http://terapiaocupacional-bethprado.blogspot.com.br/2011/02/terapia-de-integracao-sensorial.html

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sinais de alerta que podem sugerir a presença de Transtornos do Espectro Autista

http://youtu.be/a3phzoTi8ZU
Recebi este vídeo da ReabCognitiva e achei prático. Foi feito pela Liga Colombiana de Autismo.
Vale lembrar que hoje é chamado de espectro autista devido a constatação de níveis e formas diferentes da manifestação de sinais. Não necessariamente a criança precisa apresentar todos os sinais. Por isso é necessária a avaliação do especialista.
Vai lá...


terça-feira, 3 de julho de 2012

A terapia ocupacional com idosos em processo demencial - os fazeres da arte

Pintura livre
Ana Elizabeth Prado
Credito 3/1670 TO

Felizmente o avanço nas pesquisas dos processos demenciais tem levado a novas práticas de reabilitação onde a atenção ao idoso ocupa um lugar de destaque, a exemplo da reabilitação cognitiva. Na minha prática, o uso dos recursos artísticos podem ajudar a sustentar a ligação do sentir, fazer, relembrar e aprender, revelando gostos e talentos.


Bandeja com mosaico de pastilhas
 Acredito que ao mesmo tempo em que as ciências médicas pesquisam o que acontece em níveis neurológicos a arte cumpre o papel de formar um campo onde podemos nos relacionar com os idosos, e as mudanças das fases da vida, também pelos aspectos subjetivos como as preferências, estética,  o  prazer de fazer.

Inscrição em argila - I. S., 94 anos
Experimentar e descobrir novas práticas artísticas pode inclusive refletir na revitalização do cotidiano de todas as pessoas envolvidas no processo, mesmo que isto nem sempre fique consciente para o idoso. 
Aliás, tem sido um grande equívoco para alguns em achar que devido aos efeitos da demência como por ex, não poder planejar de forma autônoma, não existe mais o desejo do idoso em escolher.
Nós, que ainda não passamos por esta fase, é que devemos nos trabalhar para poder perceber por onde podemos interagir com pessoas que perderam algumas habilidades  e reconhecer os diversos graus de autonomia e opções adaptativas em que possa haver de alguma forma a participação ativa do sujeito no seu cotidiano.

Pintando mandalas

Vale lembrar que as atividades escolhidas na terapia ocupacional devem ser significativas para o idoso. Ter relação com a história vivida e as preferências.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Como regular a entrada de informações sensoriais em crianças do espectro autista

Poder brincar com conforto é, muitas vezes, a maior dificuldade em algumas crianças
Ana Elizabeth Prado
Credito 3/1670 TO

 É um desafio  para os pais, principalmente aqueles que iniciam o contato com as  necessidades específicas de seus filhos, em criar um ambiente com recursos e brincadeiras que auxiliem o bem estar diário às crianças com Transtorno do Espectro Autista.
Como já comentei em outra postagem sobre Autismo e Terapia Ocupacional, é necessário investigar a rotina das crianças e favorecer as acomodações sensoriais necessárias.
Digo sempre que: como somos nas Atividades da Vida Diária ( alimentação, vestuário, higiene, dormir/acordar) mostramos as nossas preferências sensoriais e como estamos tirando proveito delas para  bem viver, ou pelo contrário, como elas podem ser um empecilho para o nosso crescimento, se houver alguma disfunção.

Lycra envolvendo o corpo para a entrada tátil/proprioceptiva

Li um post em outro blog e pensei: para que fazer uma postagem se já tem uma tão bem feita?! Achei resumida e que contempla todas as entradas sensoriais.
Sempre lembrando que:
- precisamos sempre considerar os sentidos proprioceptivo e vestibular, além dos outros 5 sentidos
- estas dicas não servem só para crianças do espectro autista. Além de algumas servirem para qualquer criança, todas auxiliam à criança que apresente uma Disfunção do Processamento Sensorial, incluindo as do espectro.
- para todo recurso é necessário verificar se este tem significado para a criança e se está dentro das necessidades e possibilidades dela. Para isso, colher o Perfil Sensorial e eleger os recursos sensoriais com a Terapeuta Ocupacional especializada, faz toda diferença.

Vamos lá...
Fonte:  http://claumarcelino.blogspot.com.br/2011/10/acomodacoes-sensoriais-para-o-ambiente.html 

Do livro: Building Bridges Trough Sensory Integration.

- Ofereça lugares pequenos e aconchegantes para a criança como casinhas de boneca, cabanas, ou até mesmo caixas grandes. Um cantinho cheio de almofadas, um puff grande, colchão ou foutton também servem. Acomodação proprioceptiva.

- Use objetos como tapetes, cortinas e almofadas para absorver o ruído exterior e o eco. Acomodação auditiva.


- Diminua o estímulo visual e auditório para prevenir distrações. Acomodação visual e auditiva.


- Use timers para sinalizar o início e
final de uma atividade. Acomodação de plano motor.

- Use coletes pesados, cobertores pesados, cobertas mais pesadas para oferecer momentos de tranquilidade e calma. Acomodação proprioceptiva.


- Dê atenção especial para a iluminação da casa com quantidade e intensidade adequada. Acomodação visual.


- Integre a criança nas
atividades pesadas da casa: carregar as comprars, colocar o lixo pra fora, pendurar roupa no varal, guardar roupas, arrumar compras no armário, molhar plantas com um regador pesado. Acomodação proprioceptiva.

- Pendure uma rede ou balanço em algum lugar tranquilo da casa ou coloque um balanço no jardim. Acomodação vestibular.


- Um colchão d'água ou colchão de ar pode ser tranquilizante. Acomodação vestibular e proprioceptiva.


- Use cortinas grossas ou blackouts para diminuir a intensidade da luz natural ou artificial vinda do exterior da casa. Acomodação visual.


- Use abajoures ou luzes refletidas na parede se a iluminação for um grande problema. Acomodação visual.


- Pinte as paredes com cores suaves e evite muitos objetos ou quadros. Acomodação visual.


- Se a sua criança ao contrário, precisar de muito estímulo, pinte o seu quartos com cores claras e vibrantes e pendure alguns móbiles. Acomodação visual.


- Um saco de dormir ajuda a acalmar. Acomodação proprioceptiva.


- Crianças com ouvidos muito sensíveis devem ter seu quarto posicionado no local mais calmo da casa. Acomodação auditiva.


- Cuidado com sons altos de telefone, campainha, televisão e rádio. Acomodação auditiva.


- Minimize a bagunça visual guardando a maioria dos brinquedos em caixas. Acomodação visual.


- Tenha um armário específico para os brinquedos e organizados de forma fácil para você e ele! Acomodação visual.


- Use pistas visuais para ajudar no cumprimento de tarefas.


- Use uma agenda ou quadro de tarefas para informar o que vai acontecer a cada dia.


- Quebre a atividade em pequenos passos para facilitar o entendimento e dê tempo para que ela processe a informação. Ex: ao invés de dizer: pegue as roupas e coloque no cesto, dê a 1ª ordem e somente depois dela pegar as roupas é que você pede para colocá-las no cesto.


- Estabeleça rotinas e cumpra-as. Isto ajuda a criança a saber o que virá pela frente e a manterá calma. Quando é necessário haver quebra na rotina, avise-a antes e dê as pistas visuais.


- Prepare o dia da escola na noite anterior: separe a roupa, sapatos e lanche com antecedência para poupar tempo e evitar estresse.


- Se a sua criança não atende pelo nome, use o toque para ajudá-la.


- Sempre que possível use pistas visuais para tudo.


-
Aprecie a companhia um do outro!!!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Material de baixo custo usado com crianças para fins lúdicos e terapêuticos


Ana Elizabeth Prado
Credito 3/1670 TO

Vai uma dica para um material de baixo custo e multifuncional: câmara de ar de pneu

Esta é de empilhadeira. Por ser menor serve para crianças pequenas. Mas uso também daquelas de trator, caminhão e automóvel de passeio. Depende do fim e para quem vai usar.
O legal é que substitui aqueles rolos e bolas caras que nem sempre são acessíveis financeiramente para qualquer pessoa. De quebra ajuda a tirar do meio ambiente câmaras de ar que não servem mais para uso convencional. Elas podem ser revestidas de texturas ou podem ficar básicas e diferentes a cada uso.
Pela forma circular e inflável torna-se multifuncional pois podem otimizar a ação de crianças com alguma dificuldade em movimentar-se sozinhas,  ajudar no controle postural para brincar, além da mobilização de caixa torácica e estímulo para as informações vestibulares*. Ou simplesmente, como muitos adultos adoram, oportunizar momento de relaxamento para o trabalho de consciência corporal.

Não há um adulto que chegue no consultório e não lembre das brincadeiras com as famosas boias no mar. Talvez mais um dos benefícios seja acessar a memória da leveza do corpo no ambiente em movimento.
Do físico ao imaginário...vamos brincando.

Outra forma de usar a mesma câmara de ar: consciência corporal, coordenação e equilíbrio em jogos, com crianças maiores.

*O uso da câmara de ar na Integração Sensorial traz também benefícios de forma lúdica em  estímular  as vias vestibulares para o equilíbrio, coordenação e atenção. Em outro momento escrevo sobre o uso da câmara em forma de balanço.