sábado, 2 de abril de 2016

Como parceiros podemos ir além...



...sim, neste Dia Mundial da Conscientização do Autismo desejo que a parceria seja a rede para sustentar as diferenças e criar melhores condições de vida para as crianças que estejam dentro do espectro do autismo, e suas famílias.

No meu dia-a-dia, trabalhando com Integração Sensorial, descubro a cada brincadeira que a terapia começa a fazer diferença quando encontramos um lugar comum de parceria. Os primeiros sinais de autonomia começam a se anunciar quando a criança percebe que estamos a acompanhando e não ditando o seu caminho. Entender como ela sente e construir junto com ela novas possibilidades de integrar tudo que acontece dentro e fora de seu corpo cria possibilidades de novas expressões de comportamento e sentimento de si, e do mundo.

Costumo ter em mente, e no coração, que estamos no mesmo barco, mas cada um no seu leme, ora ajudando mais, ora ajudando menos até chegar um dia de desejar uma boa viagem para o passageiro tomar seu rumo.

Portanto, neste dia, e em todos, desejo mais conhecimento, mais cumplicidade e acima de tudo...que mesmo contemplando toda diversidade e condições especiais, que a parceria nos leve além do diagnóstico.

Que a descoberta de ter TEA não seja um fim, mas só um começo de uma jornada que pode ser divertida, para todos nós.

Divirto-me sempre. Obrigada, gente!

sábado, 21 de novembro de 2015

Brincar com o que temos!

No princípio era uma caixa de papelão jogada no lixo.
Sim, ainda tem gente que joga materiais recicláveis no lixo comum. 
Mas não tem nada não. A gente faz ter sempre sim, 
algum motivo para brincar!

Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Um dia saindo de casa, com pressa para trabalhar, tive um momento daqueles que só quem é terapeuta ocupacional entende. Parei e vi algo que me encheu os olhos: uma caixa de papelão de maquina de lavar louça destinada a virar lixo. Grande, com espessura larga. Perfeita! 
Para quê?

Caixa de papelão que virou tudo: nave espacial, maquina de lavar, caixa maluca que vira e vira muitas vezes...tudo que a imaginação quiser
No ímpeto sabia que ia servir para alguma coisa, mas confesso que nem imaginava o que iria provocar na criançada. 
A gente nunca sabe mesmo. Imagina...

Terapeutas e famílias, descobrimos que dá para fazer mil coisas com a caixa de papelão, em tempos e modos diferentes...dependendo do que a criança gosta, precisa e inventa:

-caixa vazia: sentir e organizar corpo em diferentes espaços.Ocupar, entrar, ficar, sair. Em posições diferentes da caixa e do corpo da criança fazendo novos planejamentos e mapas de esquema corporal.

Se organizando em ambientes com menor espaço.









-caixa cheia de brinquedos, de bolas. Sentir o corpo em contato com elementos sensoriais, movimentar o corpo na caixa. Sentir a caixa movimentando o corpo, nas "viradas malucas".

"Caça ao ninja"

-incentivar a imaginação: o que a caixa pode se transformar? Numa nave espacial que vai para lua? Num esconderijo de ninjas? Ou num lago quente de peixes coloridos?

-ações com brincadeira de desafios: "como você pode entrar na caixa sem tocar as mãos nela?" Saber entrar na caixa de maneiras diferentes. Provocar a criança ter uma ideia prévia,  subir em algo, ou pela escada, ou se pendurando no trapézio, planejando e experimentando a ação da gravidade e chegar ao que se planejou.



-jogo: para aqueles que adoram sentir o corpo como se tivesse dentro de um liquidificador...rsrsrs ...inventamos até um jogo de rolar o dado grande e esperar ver quantas vezes a caixa maluca deveria virar. 

Vale a pena ouvir e ver as gargalhadas!!! Imaginem sentir as bolinhas se movimentando pelo corpo enquanto vira  a caixa. Tem até criança que aprende a "roubar" no jogo para tentar o dado cair sempre no seis. 
É estratégia, não é?

O que fazer com meu corpo para lidar com as mudanças?

-ainda: a caixa serve para subir e ser um objeto intermediário para escalar...e muito mais...tudo que couber na imaginação.

Como na terapia de Integração Sensorial provocamos situações de desafios sensório motores em que a criança escolhe e toma prumo de sua brincadeira precisamos ter sempre na sala materiais versáteis. 

Precisamos também estar disponíveis para que a nossa postura seja similar e podermos proporcionar novas e ricas oportunidades.

A criatividade da terapeuta pode engatilhar processos na criança... e vice e versa.
A via é de mão dupla. 
Disponibilidade para fazer o caminho experimentando, descobrindo, criando.

É bom saber: sob a perspectiva da terapia de Integração Sensorial há recursos sensoriais que auxiliam a regular o estado de alerta, e isto acontecendo, levar a um estado de prontidão de corpo, mente e condições afetivas possibilitando melhor envolvimento e criatividade com crianças que por algum motivo precisam de apoio para brincar e se comunicar de acordo com sua idade. 
Se divertindo.

Este é um depoimento de uma pessoa que viveu em uma época que brincar com um pneu de velocípede tentando equilibrá-lo com uma pedaço de arame...era uma diversão.

sábado, 30 de maio de 2015

Meu trabalho é uma brincadeira!!!


Minha parceira me clicando na brincadeira compartilhada
Infinitos modos de expressão.

Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Hoje fui surpreendia por uma pergunta espontânea de uma criança de 9 anos na sessão de terapia ocupacional:

" Beth, você trabalha? 
Respondo: aqui é o meu trabalho. 
Ela insiste: " mas que horas você trabalha?"
Respondo: as horas em que estou aqui. 
Ela comenta com ênfase: "mas aqui a gente brinca!".
Comento: pois é...meu trabalho é brincar!
E mais uma vez ela me faz uma surpresa:
" quando crescer eu quero esse trabalho."

Uma e outra se apresentaram surpresas!!!

Sabe aqueles momentos que são como se fossem frestas na vida, mas que na verdade podem ser afirmativos da existência?!
Sim, neste dia testemunhamos a nossa.

domingo, 17 de maio de 2015

Brincar e praxia

Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Relato breve de uma sessão de terapia ocupacional em um ambiente de Integração Sensorial com um adolescente com dificuldades em aprender na escola e na autonomia das atividades cotidianas.

"O que vamos brincar hoje?
Já sei...quero fazer uma casa.
De qual material?
Com os materiais da sala...
...deixa eu tornar realidade a casa que sonhei.
e...não tem teto?
Não, quero ver as estrelas.
Tem porta?
Tem.
Esta é a melhor ideia que já tive!
Poderia ficar aqui para sempre..."


Brincar construindo o que imaginou não vem só do querer.
Vem da maturidade,
vem das oportunidades da meninez
e vem da habilidade em poder ter uma ideia  sobre algo, planejar e saber executar os passos do fazer propriamente dito. Isto requer um domínio de praxia, processo que está no cerne de nossa relação com o mundo e nas aprendizagens. Principalmente quando nos deparamos com uma situação nova e/ou temos que criar.
Tarefa não muito fácil para algumas crianças com  alteração no processamento sensorial, que apresentam dificuldades de aprendizagem, situações como TDAH e autismo, entre outras.


Imaginar, olhar para o ambiente como um todo, escolher os materiais, combinar e montar em sequência requer maturidade do processamento sensorial.
Para chegar neste ponto de imaginar a casa de seus sonhos P. vivenciou muitas brincadeiras nas sessões de terapia ocupacional sendo incentivado no ambiente de integração sensorial.

Brincar envolve praxia e esta para se desenvolver na criança precisa ser por meio de brincadeiras.

Por isso, adulto, tenha em mãos:

-disponibilidade em criar situações novas e motivadoras onde a criança amplie o repertório de brincadeiras. Experimente, imite, erre, acerte, crie, recombine e renove. Diariamente.
-um ambiente rico de materiais que se transformam e podem se recombinar
-conhecimento de neurofisiologia sobre integração sensorial, desenvolvimento e aprendizagem. Se você é um cuidador procure ajuda de um especialista se sua criança tiver um repertório restrito para brincar.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Dica de livro para brincadeiras simbólicas


"O Livro com um Buraco",  da editora Cosacnaif ( eles são muito bons), é um daqueles livros reveladores para você viajar  com as crianças, inclusive, a sua, bem lá dentro e que, talvez, esteja adormecida.

Como o livro tem um buraco na lombada a cada página que se abre há um desenho diferente onde o círculo fica no meio podendo ser preenchido o espaço a partir da imaginação. Com desenhos, palavras, partes do corpo, fantoches e outros brinquedos.


São diversos temas do universo infantil. As representações podem virar histórias, sonhos, pesadelos, recortes, desenhos e pinturas...tudo que couber no mundo simbólico.

Tenho usado principalmente com crianças que por um motivo ou por outro estão em defasagem para imaginar e/ou desenhar.
Pode ser usado também auxiliando no programa de Integração Sensorial  no incentivo a criação de temas para as brincadeiras e praxias.
Além do desenho no papel que fica sob o livro colocamos a face, o cotovelo, o joelho...fazendo desenhos também no corpo.

A criançada entra na brincadeira fácil, fácil..e aí, já viu...brincou, imaginou, desenhou, pintou, escreveu.


                       


Dá até para ser uma ponte para a pintura livre onde a criança dá asas a imaginação.

Olha lá o foguete do espaço que foi recortado, colado e entrou na pintura

Precisamos continuar valorizando recursos para incentivar a espontaneidade da criançada. 

Que não seja tudo pronto, que não seja tudo exposto. 
Que o mistério ainda faça parte da criação!

segunda-feira, 2 de março de 2015

Como usar histórias sociais

    

Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Histórias Sociais são usadas comumente com crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista como recurso para amenizar ansiedade, ajudar em situações-problema e a possibilidade da construção da criação de novos caminhos junto com a criança, principalmente em contexto de inclusão social. 
Existem várias formas de fazer a depender do nível e necessidade da criança e do adolescente.
Coloco o link abaixo de um material que achei completo e super explicativo.
Em caso de dúvida, peça ajuda a um profissional especializado.


"Histórias sociais são descrições curtas e simples que são criadas com a intenção de ajudar a criança a entender uma atividade ou situação particular, junto com comportamentos que são esperados da criança nessa situação particular. Essas histórias também dão informações precisas sobre o que a criança poderia testemunhar ou experimentar em uma situação particular."


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Memória e afeto


No grupo de estudo de Eutonia e Memória assisti a um filme ( curta) que me deixou impactada pela competência da equipe em passar de forma tão lírica um assunto complexo que está no nosso dia-a-dia: a relação com pessoas em fase de envelhecimento com perda de memória.
São muitas reflexões que cabem neste filme.  Só algumas...

Como valorizar o contato afetivo e potencializador por meio das memórias?
Como poder entrar em relação com o outro de acordo com as possibilidades que se fazem presente no instante e não sempre sob os nossos filtros pré-concebidos?
Quem podemos ser ou como podemos viver acessando as memórias?
É possível fazer novas conexões? ou...

O que cerca pode servir para ligar?

A vida segue a qualquer tempo.
E como podemos vivê-la?
Escolha?
Destino?
Oportunidades?

O velho e o novo não seriam expressões de uma mesma unidade?


DONA CRISTINA PERDEU A MEMÓRIA
Foto por Alex Sernambi: Pedro Tergolina e Lissy Brock
Antônio, um menino de 8 anos, descobre que sua vizinha Cristina, de 80, conta histórias sempre diferentes sobre a sua vida, os nomes de seus parentes e os santos do dia. E Dona Cristina acredita que Antônio pode ajudá-la a recuperar a memória perdida.
Direção: Ana Luiza Azevedo
Produção Executiva: Nora Goulart e Luciana Tomasi
Roteiro: Ana Luiza Azevedo, Jorge Furtado e Rosângela Cortinhas
Direção de Fotografia: Alex Sernambi
Direção de Arte: Fiapo Barth
Música: Gustavo Finkler
Montagem: Giba Assis Brasil
Uma Produção da Casa de Cinema PoA
Elenco Principal:
Lissy Brock (Dona Cristina)
Pedro Tergolina (Antônio)
Link do youtube