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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Dica de livro para brincadeiras simbólicas


"O Livro com um Buraco",  da editora Cosacnaif ( eles são muito bons), é um daqueles livros reveladores para você viajar  com as crianças, inclusive, a sua, bem lá dentro e que, talvez, esteja adormecida.

Como o livro tem um buraco na lombada a cada página que se abre há um desenho diferente onde o círculo fica no meio podendo ser preenchido o espaço a partir da imaginação. Com desenhos, palavras, partes do corpo, fantoches e outros brinquedos.


São diversos temas do universo infantil. As representações podem virar histórias, sonhos, pesadelos, recortes, desenhos e pinturas...tudo que couber no mundo simbólico.

Tenho usado principalmente com crianças que por um motivo ou por outro estão em defasagem para imaginar e/ou desenhar.
Pode ser usado também auxiliando no programa de Integração Sensorial  no incentivo a criação de temas para as brincadeiras e praxias.
Além do desenho no papel que fica sob o livro colocamos a face, o cotovelo, o joelho...fazendo desenhos também no corpo.

A criançada entra na brincadeira fácil, fácil..e aí, já viu...brincou, imaginou, desenhou, pintou, escreveu.


                       


Dá até para ser uma ponte para a pintura livre onde a criança dá asas a imaginação.

Olha lá o foguete do espaço que foi recortado, colado e entrou na pintura

Precisamos continuar valorizando recursos para incentivar a espontaneidade da criançada. 

Que não seja tudo pronto, que não seja tudo exposto. 
Que o mistério ainda faça parte da criação!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Brincando de escolher caminhos: recorte - tempo e espaço.


Dica de atividade inspirada na obra " Caminhando", de Lygia Clark

"As diversas respostas surgirão de suas escolhas".
 Lygia Clark

Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Existem muitas formas de refinar a coordenação das mãos, olhos e da percepção. Quem pensa que está isolado da maturidade global do sujeito está redondamente enganado. Em um simples recorte de uma linha, por exemplo, são requisitados vários domínios de cadeias musculares que irão se ajustar em sintonia aos tecidos e órgãos do corpo, ligados a todo sistema nervoso.  É movimento e percepção formando nova aprendizagem de forma integrada.
Além disso, estruturas do corpo são acionadas para manter a atenção com propósito e motivação. E assim fornecer energia para continuar outras experimentações.
Recortar também envolve ação sequencial e integração bilateral do corpo.
É espaço e tempo.
Nessa sugestão de atividade o recorte pode ser também escolha de fazer novos caminhos. Verificando os resultados.
Todos nós vivemos isto em situações corriqueiras. A criança, e especialmente na idade escolar, lida com muitos desafios nesta área. Ela está em formação ajustando os domínios do corpo e o uso dos instrumentos em suas diversas ocupações diárias: nas brincadeiras, nas atividades de auto cuidados e na escola.
Por vários motivos e diferenças maturacionais algumas crianças precisam exercitar mais que outras para passar por esta fase da forma mais divertida possível.
Portanto, vamos sempre ter o cuidado de não gerar momentos enfadonhos para criança exercitar seus olhos, mãos e cérebro. Além dos recortes livres e dos modelos conhecidos invente formas inusitadas, que sejam simples e que possam ser feitas em qualquer lugar ou a qualquer hora.

Para quem for importante saber, está comprovado cientificamente

Aprendemos melhor pela novidade e quando estamos motivados 
Repetindo, na diversão, aprimoramos nosso conhecimento.

Vai a dica de atividade: "Fita de Moebius"

Material necessário: papel de presente, tesoura e cola.

Escolher iniciar
Recortar na largura escolhida. Achei legal este papel de presente com linhas coloridas.

Passar cola nas extremidades do papel, avesso e direito para....

...colar de forma invertida. Formando o símbolo do infinito. Fita de Moebius.

Inicia de um ponto escolhido e segue recortando evitando encontrar o ponto inicial para continuar caminhando

recorta, recorta, recorta...formando caminhos até chegar em um ponto tão estreito que não dá mais para seguir. Escolher parar.

Dá para brincar com os anéis colocando no corpo, pendurando como móbiles. O que vale é a criatividade.

Esta sugestão de atividade vem da minha vivência com o trabalho da artista plástica Lygia Clark.
Vi também que é muito bem indicada para crianças ( e adultos) com impulsividade e deficit de atenção. É incrível como a criança gosta e fica mais aberta, que muitos adultos, em descobrir os caminhos que surgirão.

Quer saber mais sobre a obra de Lygia Clark?
Link "Caminhando" - Lygia Clark

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Terapia ocupacional em crianças com TDAH

"...você é médica? vai me ajudar a parar o meu corpo?"
Por Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670
Nada melhor do que escutar quem entende do assunto: a própria criança. Ela nos dá a dica do que não anda bem em sua vida.
Este é o questionamento de um menino de 5 anos de idade iniciando um programa de terapia ocupacional na abordagem de Integração Sensorial. Diante dos materiais disponíveis na sala Marcos* escolheu brincar de se pendurar no trapézio e cair em um colchão inflável na contagem "1,2, 3 e já", gritando a "palavra de guerra" escolhida por ele.
Combinamos previamente e planejamos como seria a brincadeira.
Para isso acontecer foi necessário a minha mediação para Marcos poder selecionar os materiais, sustentar a atenção aos passos da construção da brincadeira, bem como lembrar sobre o cuidado com sua segurança. Só durante a ação descobriu que precisava subir em algo como um puff para alcançar o trapézio. Que era necessário uma certa distância entre o puff e o colchão para conseguir acertar o pulo no alvo. E que precisava se manter por um tempo se pendurando pelas mãos percebendo o tempo da contagem até se soltar e cair. Percebeu ainda que era difícil falar a palavra enquanto pulava, preferindo só pular.
Fiquem atentos a todas necessidades para a participação de Marcos na brincadeira.
Depois propus para ele registrar a brincadeira por um desenho mas não foi possível para ele, por enquanto.
No meio da brincadeira me chamou atenção a elaboração de sua pergunta:
M- " isto faz parar meu corpo?"
Eu- " você está falando sobre o que?"
M- " ...essa brincadeira...você é médica? vai me ajudar a parar o meu corpo?"...e conversamos sobre o que estava lhe angustiando e o motivo de ele vir a terapia ocupacional.
Marcos apresenta excelente nível intelectual e veio indicado pela escola devido a quedas frequentes e dificuldades de atenção.
A aparente simplicidade desta brincadeira requer muitas habilidades, dentre elas: domínio do próprio corpo, e do corpo no ambiente; evocar uma intenção e formular uma ideia, implícita a motivação; ativar a memória; dirigir, focar e sustentar a atenção; planejar, selecionar os materiais e estratégias para se chegar ao objetivo; inibir uma ação para priorizar a principal; habilidade para iniciar, prosseguir e finalizar ações sequenciais de modo integrado do seu corpo com o meio.
Muitas destas habilidades são difíceis em crianças com sinais sugestivos de Disfunção de Processamento Sensorial, presente em algumas crianças com diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Trouxe este comentário para ilustrar o quanto algumas crianças desde tão jovens passam por momentos em que se vêem não correspondendo a si próprio ou aos pais, professores e amigos devido às alterações no modo como recebem, modulam ou processam as informações sensoriais.
Muitas famílias trazem como queixa as quedas frequentes, inquietação, "preguiça", falta de atenção, atraso na aprendizagem da leitura e escrita, preferências por brincadeiras muito infantis e falta de organização nas atividades de auto cuidado, às vezes com prejuízo na interação social.
Este assunto envolve vários aspectos emocionais, cognitivos e sensoriais. É difícil até para as famílias escolher o tratamento mais adequado principalmente quando é necessário uma equipe multidisciplinar.
Acredito que podemos começar escutando as necessidades da criança e das pessoas que se relacionam com ela, e a partir daí ir em busca de diagnóstico e intervenção terapêutica. Em crianças com TDAH, a depender do caso, é necessário entrar com medicação por indicação médica como auxílio, mas não esquecendo de valorizar o apoio à criança no sentido de favorecer uma qualidade melhor de relação dela no meio em que vive, seja na escola, em casa ou no meio social.
Neste último entra o papel do terapeuta ocupacional criando um ambiente com oportunidades onde a criança irá vivenciar o seu corpo no campo sensório motor, elencando brincadeiras junto à criança para integrar corpo, atenção e memória, organizando no tempo e espaço.
Do concreto ao abstrato.
Do real ao imaginário.
É a cognição ligada a vivência corporal. Essencial para as funções executivas.
É do corpo que se começa e que constrói  a história...

Integrando os sentidos do próprio corpo no contexto lúdico

  

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Marcos - nome fictício