terça-feira, 26 de junho de 2012

Como regular a entrada de informações sensoriais em crianças do espectro autista

Poder brincar com conforto é, muitas vezes, a maior dificuldade em algumas crianças
Ana Elizabeth Prado
Credito 3/1670 TO

 É um desafio  para os pais, principalmente aqueles que iniciam o contato com as  necessidades específicas de seus filhos, em criar um ambiente com recursos e brincadeiras que auxiliem o bem estar diário às crianças com Transtorno do Espectro Autista.
Como já comentei em outra postagem sobre Autismo e Terapia Ocupacional, é necessário investigar a rotina das crianças e favorecer as acomodações sensoriais necessárias.
Digo sempre que: como somos nas Atividades da Vida Diária ( alimentação, vestuário, higiene, dormir/acordar) mostramos as nossas preferências sensoriais e como estamos tirando proveito delas para  bem viver, ou pelo contrário, como elas podem ser um empecilho para o nosso crescimento, se houver alguma disfunção.

Lycra envolvendo o corpo para a entrada tátil/proprioceptiva

Li um post em outro blog e pensei: para que fazer uma postagem se já tem uma tão bem feita?! Achei resumida e que contempla todas as entradas sensoriais.
Sempre lembrando que:
- precisamos sempre considerar os sentidos proprioceptivo e vestibular, além dos outros 5 sentidos
- estas dicas não servem só para crianças do espectro autista. Além de algumas servirem para qualquer criança, todas auxiliam à criança que apresente uma Disfunção do Processamento Sensorial, incluindo as do espectro.
- para todo recurso é necessário verificar se este tem significado para a criança e se está dentro das necessidades e possibilidades dela. Para isso, colher o Perfil Sensorial e eleger os recursos sensoriais com a Terapeuta Ocupacional especializada, faz toda diferença.

Vamos lá...
Fonte:  http://claumarcelino.blogspot.com.br/2011/10/acomodacoes-sensoriais-para-o-ambiente.html 

Do livro: Building Bridges Trough Sensory Integration.

- Ofereça lugares pequenos e aconchegantes para a criança como casinhas de boneca, cabanas, ou até mesmo caixas grandes. Um cantinho cheio de almofadas, um puff grande, colchão ou foutton também servem. Acomodação proprioceptiva.

- Use objetos como tapetes, cortinas e almofadas para absorver o ruído exterior e o eco. Acomodação auditiva.


- Diminua o estímulo visual e auditório para prevenir distrações. Acomodação visual e auditiva.


- Use timers para sinalizar o início e
final de uma atividade. Acomodação de plano motor.

- Use coletes pesados, cobertores pesados, cobertas mais pesadas para oferecer momentos de tranquilidade e calma. Acomodação proprioceptiva.


- Dê atenção especial para a iluminação da casa com quantidade e intensidade adequada. Acomodação visual.


- Integre a criança nas
atividades pesadas da casa: carregar as comprars, colocar o lixo pra fora, pendurar roupa no varal, guardar roupas, arrumar compras no armário, molhar plantas com um regador pesado. Acomodação proprioceptiva.

- Pendure uma rede ou balanço em algum lugar tranquilo da casa ou coloque um balanço no jardim. Acomodação vestibular.


- Um colchão d'água ou colchão de ar pode ser tranquilizante. Acomodação vestibular e proprioceptiva.


- Use cortinas grossas ou blackouts para diminuir a intensidade da luz natural ou artificial vinda do exterior da casa. Acomodação visual.


- Use abajoures ou luzes refletidas na parede se a iluminação for um grande problema. Acomodação visual.


- Pinte as paredes com cores suaves e evite muitos objetos ou quadros. Acomodação visual.


- Se a sua criança ao contrário, precisar de muito estímulo, pinte o seu quartos com cores claras e vibrantes e pendure alguns móbiles. Acomodação visual.


- Um saco de dormir ajuda a acalmar. Acomodação proprioceptiva.


- Crianças com ouvidos muito sensíveis devem ter seu quarto posicionado no local mais calmo da casa. Acomodação auditiva.


- Cuidado com sons altos de telefone, campainha, televisão e rádio. Acomodação auditiva.


- Minimize a bagunça visual guardando a maioria dos brinquedos em caixas. Acomodação visual.


- Tenha um armário específico para os brinquedos e organizados de forma fácil para você e ele! Acomodação visual.


- Use pistas visuais para ajudar no cumprimento de tarefas.


- Use uma agenda ou quadro de tarefas para informar o que vai acontecer a cada dia.


- Quebre a atividade em pequenos passos para facilitar o entendimento e dê tempo para que ela processe a informação. Ex: ao invés de dizer: pegue as roupas e coloque no cesto, dê a 1ª ordem e somente depois dela pegar as roupas é que você pede para colocá-las no cesto.


- Estabeleça rotinas e cumpra-as. Isto ajuda a criança a saber o que virá pela frente e a manterá calma. Quando é necessário haver quebra na rotina, avise-a antes e dê as pistas visuais.


- Prepare o dia da escola na noite anterior: separe a roupa, sapatos e lanche com antecedência para poupar tempo e evitar estresse.


- Se a sua criança não atende pelo nome, use o toque para ajudá-la.


- Sempre que possível use pistas visuais para tudo.


-
Aprecie a companhia um do outro!!!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Material de baixo custo usado com crianças para fins lúdicos e terapêuticos


Ana Elizabeth Prado
Credito 3/1670 TO

Vai uma dica para um material de baixo custo e multifuncional: câmara de ar de pneu. 

Esta é de empilhadeira. Por ser menor serve para crianças pequenas. Mas uso também daquelas de trator, caminhão e automóvel de passeio. Depende do fim e para quem vai usar.
O legal é que substitui aqueles rolos e bolas caras que nem sempre são acessíveis financeiramente para qualquer pessoa. De quebra ajuda a tirar do meio ambiente câmaras de ar que não servem mais para uso convencional. Elas podem ser revestidas de texturas ou podem ficar básicas e diferentes a cada uso.
Pela forma circular e inflável torna-se multifuncional pois podem otimizar a ação de crianças com alguma dificuldade em movimentar-se sozinhas,  ajudar no controle postural para brincar, além da mobilização de caixa torácica e estímulo para as informações vestibulares*. Ou simplesmente, como muitos adultos adoram, oportunizar momento de relaxamento para o trabalho de consciência corporal.

Não há um adulto que chegue no consultório e não lembre das brincadeiras com as famosas boias no mar. Talvez mais um dos benefícios seja acessar a memória da leveza do corpo no ambiente em movimento.
Do físico ao imaginário...vamos brincando.

Outra forma de usar a mesma câmara de ar: consciência corporal, coordenação e equilíbrio em jogos, com crianças maiores.

*O uso da câmara de ar na Integração Sensorial traz também benefícios de forma lúdica em  estímular  as vias vestibulares para o equilíbrio, coordenação e atenção. Em outro momento escrevo sobre o uso da câmara em forma de balanço.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

As cores das Flores - um vídeo sobre inclusão

http://youtu.be/s6NNOeiQpPM


Para mim é mais que um vídeo sobre inclusão. É uma oportunidade de refletirmos sobre como lidamos com as questões das diferenças no nosso dia a dia.
O que mais me tocou neste vídeo foi a desenvoltura do Diego em resolver o problema e contar com pessoas que sustentassem junto com ele o caminho da inclusão que tem muitos conflitos, desafios, conquistas, incertezas mas também sorrisos com poesia.
Talvez o que seja mais difícil para nós, terapeutas e pais, é a missão de aprender estar ao lado mas sem querer estar no lugar da pessoa com deficiência. Aprender a acolher as necessidades e quiça ser um dinamizador dos processos de conhecimento no cotidiano os quais são pessoais e intransferíveis mas, gracias a la vida, coletivos.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Estratégias para melhorar o sono de crianças com Espectro Autista - um guia para pais (de qualquer criança que apresente dificuldades na hora de dormir)

A Autism Speaks elaborou um guia rápido e fácil, apesar de estar escrito em inglês, para pais de crianças com Transtorno do Espectro Autista(TEA) que apresentam dificuldades em dormir ou manter o ciclo de sono-vigília regular. Sabemos que muitas crianças com autismo têm esta dificuldade devido a falha da regulação, de base neurológica. Por isso que muitas crianças com Disfunção de Processamento Sensorial, sem necessariamente apresentarem TEA, podem também ter distúrbios de sono tais como:
-dificuldades para adormecer
-para manter o sono
-acordar de manhã cedo
Do ponto de vista da abordagem de Integração Sensorial há estratégias que ajudam a melhorar estes momentos a depender do perfil sensorial que a criança apresenta.
Este guia dá dicas para os pais valorizando 5 aspectos:
- favorecer um ambiente confortável para dormir
- promover hábitos regulares na hora de dormir
- dicas para melhorar a rotina (o que chamo de acomodações sensoriais). Eleger recursos que servem para acalmar e acordar. Sugestão também de apoio visual para estruturar a rotina.
-ensinar a criança a dormir sozinha
-encorajar comportamentos no dia a dia que influenciam o sono

O melhor é que dá para baixar gratuitamente.
Vai lá: http://www.autismspeaks.org/science/resources-programs/autism-treatment-network/tools-you-can-use/sleep-tool-kit
Atentem para outros guias que estão no "tools you can use"
Qualquer dúvida ou ajuda, estou por aqui.

domingo, 1 de abril de 2012

O Autismo e a terapia ocupacional

Ana Elizabeth Prado
Credito 3/1670 TO

Dia Mundial da
Conscientização do Autismo
Dia Mundial da Conscientização do Autismo

Vista azul no dia 02 de abril para fazer uma grande rede ao redor do mundo em prol de melhor engajamento dos setores públicos e privados, e maior conhecimento da população sobre o Autismo, atualmente denominado como Transtorno do Espectro Autista.(TEA)
O conceito de espectro vem de quanto o autismo se manifesta em vários niveis havendo pessoas com mínimos sintomas que por vezes nem são notados socialmente até pessoas com sinais que comprometem muito a interação social e autonomia. Existem diversas teorias a respeito das causas e tratamentos. De acordo com pesquisas recentes sabe-se que o TEA é resultante de alteração na estrutura e funcionamento do Sistema Nervoso Central(SNC),  de origem genética em combinação com a ação de fatores ambientais afetando o desenvolvimento global com dificuldades na comunicação e interação social.
Dentro da perspectiva da teoria de Integração Sensorial as pessoas com TEA apresentam estes sinais característicos muitas vezes devido a uma falha no processamento das informações sensoriais necessário para a produção de respostas adaptativas alterando o desempenho nas áreas motora, cognitiva, linguagem ou sócio-emocional. Há crianças, por ex, que sentem de forma exarcebada determinados estímulos do meio ou pelo contrário, percebem pouco. Outras podem apresentar dificuldades no planejamento de ações e no reconhecimento dos sinais de condutas sociais. Há correlações de comportamentos típicos como os movimentos estereotipados com o nível de estado de alerta alterado e diferenças no registro sensorial. Todas relacionadas às estruturas do SNC que funcionam em cooperação mas que cada  grupo representa a sua função biológica desde ações básicas como controle motor bem como o controle emocional.
As pessoas com TEA, a depender do tipo que desenvolve, necessita de atenção à saúde e educação com diversos profissionais envolvidos.
A terapia ocupacional auxilia a construção de novos modos de organização do cotidiano onde a intervenção  junto a pessoa com TEA, encontra um lugar complementar à construção de um ambiente enriquecedor com a família, ao grupo educacional e social.

Acomodações sensoriais: o uso da malha envolvendo o corpo para algumas crianças auxiliam na organização corporal e tolerância nas brincadeiras. Deve ser utilizado com critério mediante indicação terapêutica. 
Houve um grande avanço em pesquisas e no uso de muitas abordagens. A Integração Sensorial na terapia ocupacional tem auxiliado no tratamento de pessoas com TEA com objetivo principal de melhorar o comportamento adaptativo e habilidades a partir da redução dos problemas relacionados ao processamento sensorial. Com isso leva a um melhor desempenho nas diversas ocupações: no brincar, comunicar, interagir, movimentar, auto-cuidar e aprender.

Quer saber mais? Envie perguntas e comentários.
Fonte de ref: "Understanding the nature of Sensory Integration with diverse populacions"- Roley, S.S; Blanche, E.I; Schaaf, R. C. Therapy Skill Builders, 2001

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia Internacional da Síndrome de Down - 21 de Março


Hoje, no Dia Internacional da Síndrome de Down ainda acredito que não é o diagnóstico que faz a pessoa . São as pessoas no seu contexto biológico e sociocultural que podem ir fazendo as suas vidas considerando todas as verdades que se entrecruzam, tendo alguma síndrome ou não.

Há muito material na internet sobre Síndrome de Down. Em referência a este dia escolhi por um post breve e prático divulgando informação às famílias e interessados.

Mitos e verdades sobre as pessoas com Down.

Mito #1: Meu filho vai morrer jovem porque pessoas com síndrome de Down não vivem mais que 20 anos.
Fato: Este simplesmente não é verdade. As pessoas com Down estão vivendo bem em seus 50 anos e até mais, especialmente agora que a assistência médica adequada está sendo administrada para tratar do coração ou outras condições que representam risco para a vida . Muitos indivíduos são capazes de ter emprego, vivendo de forma independente, e desfrutar de muitos passatempos e atividades.
Mito #2: Seu filho vai sofrer.
Fato: Mais uma vez, isso está longe da verdade. Muitas pessoas com Down no mundo necessitam de cirurgia corretiva para problemas que podem acarretar sofrimentos.Se o seu filho precisa de uma cirurgia, por qualquer motivo, a assistência médica prestada aos indivíduos com SD é maravilhosa. Você pode esperar que seu filho continue a se desenvolver e a prosperar. Enquanto 30-50%  das pessoas com Down tem uma condição cardíaca, apenas cerca de 5% exigirá cirurgia. O restante 25-45% passarão por outros procedimentos menos invasivos ou serão apenas monitorados.  Quaisquer condições médicas podem ser tratadas hoje, ao contrário de anos atrás, quando o tratamento era desconhecido. Com a assistência médica adequada, os indivíduos passam a viver uma tranquila e sem maiores problemas.
Mito #3: Os médicos me disseram que a síndrome de Down do meu filho é pior do que os outros casos.
Fato: Isto é simplesmente impossível dizer quando o bebê ainda está no útero. E, mesmo que o caso seja mais grave, sabe-se de crianças com muitas necessidades cirúrgicas que passaram a fazer coisas incríveis. Karen Gaffney é um exemplo incrível de uma pessoa que precisava muito de uma cirurgia corretiva e passou a fazer coisas incríveis. Ela não é única, isso acontece em todo o mundo.
Mito #4: Os médicos disseram-me que o meu filho é um leve caso de síndrome de Down.
Fato: Embora existam muitas habilidades diferentes para os indivíduos com síndrome de Down, o médico não pode dizer no útero ou no momento do nascimento como uma criança se sairá. Na maioria dos casos, o indivíduo tem um tempo mais difícil para aprender ou se comportar. Indivíduos com Síndrome de Down se benefícia de lares amorosos, de intervenção precoce, de educação inclusiva, assistência médica adequada e atitudes positivas.
Mito #5: Suas chances de ter um filho com síndrome de Down aumenta consideravelmente após os 35 anos.
Fato: Sim, realmente há um aumento de chances. Mas vamos discutir isso. Quando vemos as taxas estimadas nos livros, você pode ver que aos 20 anos é 1/1231. Aos 25 anos é 1/887. Aos 30 anos é 1/685. Aos 35 anos é 1/274. E, finalmente, aos 40 anos é 1/78. Então, sim, a sua chance faz aumentar com a idade, mas perceba que as chances são de 1 em um universo muito maior. Se você olhar para estes números em percentuais, eles parecem um pouco mais interessantes: 20 anos: 0,08%. 30 anos: 0,15%. 35 anos de idade: 0,36%. 40 anos de idade: 1%. Assim como um médico nos disse: “Deixe a culpa na porta”, porque, aos 39 anos, o risco estimado foi de 1/100. Isso significa que havia uma chance de 1% de ter um filho com síndrome de Down. Isso significa que há uma chance de 99% de não ter um filho com síndrome de Down. Ele ainda acrescentou: “Quem pensaria em não ter um filho, se você tem uma chance de 99% disso não acontecer?” Na verdade, há uma série de doenças que todos nós temos uma chance maior de ter do que a chance de ter com uma criança com síndrome de Down. Um ponto adicional a acrescentar a isto, 80% de todas as crianças nascidas com Down nascem de mães de 35 anos ou menos. Muitos pensam que isso só acontece às mães mais velhas, uma vez que há um aumento nas chances. No entanto, como você pode ver, o aumento das chances não é tão grande e percebe-se que a maioria das crianças com Down acaba nascendo em mães mais jovens. Os números são interessantes e desmistifica, não é?
Mito #6: Trazer uma criança que tem síndrome de Down em sua família será prejudicial para seus outros filhos.
Fato: Mais uma vez, simplesmente não é verdade! Na verdade, é exatamente o oposto. Suas outras crianças realmente têm uma maior chance de se tornar mais compassiva aceitando a diferença de outras pessoas.
Discutir mitos e apresentar fatos sempre é importante, não é? Assim desfazemos fantasias e podemos lidar com a realidade de uma forma mais tranquila e esperançosa. Se você tem na sua família uma criança ou adulto com Down, invista nele e nas suas potencialidades. Busque terapias e dê a ele a oportunidade de desfrutar o melhor que ele conseguir da vida. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Quando o choro do bebê e da criança pequena vai além do esperado

Ana Elizabeth Prado
Credito 3/1670 TO
Onde tem criança pequena, em algum momento, tem choro. Todo ser vivo tem seus mecanismos de adaptação e passa por ciclos diariamente para organizar-se e prosseguir evoluindo. O ser humano pode chorar para comunicar dor, desconforto e diversas emoções.
Quando o bebê chora pode estar com fome, com dor ou com algum desconforto nos horários de alimentação, durante as brincadeiras, e nas transições do dormir e acordar. Há ainda o choro decorrente de alguma alteração orgânica de doenças e, em alguns casos, de origem neurológica que podem justificar o choro contínuo. Por isso sempre deve ser investigado a causa do choro primeiramente pelo pediatra para depois seguir com outros profissionais no entendimento do bebê que chora constantemente, e assim fazer as necessárias intervenções.
Algumas crianças apresentam dificuldade em regular o ciclo de sono/vigília muitas vezes prejudicando o ganho de peso e seguimento das etapas do desenvolvimento, além do estresse que causa no meio familiar. Diante disso as mães podem ficar devidamente cansadas e frustradas por não conseguir entender e acalmar o seu filho.
Na terapia ocupacional, sob um olhar de Integração Sensorial, há um foco central: observar como o bebê se organiza no mundo que vive e, a partir daí fazer os ajustes necessários para ajudar a formar o encontro da criança, família e cuidadores.

Algumas observações são importantes para entender o comportamento do bebê:
Como o bebê adapta-se às alterações do seu corpo e do meio ambiente? Como recebe e responde às diversas informações sensoriais que acontecem a todo o momento dentro e de fora do seu corpo? Ou como o bebê reage quando tem cólica, a um ambiente barulhento ou a um determinado toque? Qual a hora do dia que o bebê está mais disponível para brincar e interagir ou, em que momentos chora?
Como se dá a interação e contato dos pares afetivos? Como pede e reage aos cuidados da mãe, pai, outros membros da família e cuidadores?
Quais as oportunidades que o meio oferece para que o bebê faça as interações e explorações favoráveis para o seu crescimento?
Essas são algumas observações que fazemos na terapia ocupacional quando recebemos um bebê que chora constantemente e, que pode apresentar dificuldades de auto regulação, um processo do sistema nervoso central que amadurece durante o desenvolvimento. Isto será avaliado diante de outras manifestações.

O assunto é vasto, mas há um conceito importante na teoria de Integração Sensorial: segundo a terapeuta ocupacional Winnie Dunn cada um de nós possui um “perfil sensorial” e que irá influenciar diretamente no modo como interagimos ao meio formando um comportamento singular durante toda a nossa vida. Há crianças (e adultos) que preferem brincadeiras com fortes estímulos e correm até certos riscos. Já outras que preferem ficar mais quietas olhando e assimilando silenciosamente sem precisar ou querer experiências radicais. Não há certo ou errado, desde que isso não atrapalhe o desenvolvimento das habilidades de forma geral ou que não prejudique o modo de vida social. Este é o ponto de partida para avaliar a necessidade da ajuda de um profissional. No caso do bebê é o seguimento das ações essenciais de vida como alimentação e ciclo sono/vigília bem como aquelas para o desenvolvimento global, as aquisições sensório-motoras, brincar e interação.
Para os pais, cuidadores e terapeutas:
-procure entender as preferências sensoriais do bebê. Ajuda muito se você fizer o exercício com você mesmo: observe qual a melhor hora do dia para você fazer determinadas atividades. Perceba o que você faz para ficar alerta durante o dia e o que você faz para “se desligar”. O que você procura mais e o que evita? Como reage quando não gosta? Como procura e como finaliza a atividade que gosta? Isto dará mais instrumentos para entender a natureza do bebê.
-observe o que o bebê gosta de brincar: com o próprio corpo, com o outro e com os brinquedos considerando a faixa etária. Quais os movimentos que ele gosta de fazer ou se evita algum movimento ou posição.
-algumas vezes o choro excessivo do bebê e da criança pequena está associado a outros sintomas como reação diferente a toques no corpo, a sons, movimentos, estímulos visuais, cheiros, texturas. Se existe alguma dificuldade nas ações cotidianas como hora do banho, alimentação, trocar de roupa e hora de dormir procure verificar o que mais o desagrada e experimente graduar os estímulos fazendo pequenas alterações para um melhor proveito. O choro contínuo pode ser um aviso que algo está excessivo ou em falta.
-saiba que os estímulos sensoriais são muito importantes para o desenvolvimento motor, afetivo e social, pois eles amadurecem integrados e se ajudam mutuamente.

Nas crianças que precisam de intervenção o programa de terapia ocupacional se baseia em como reorganizar uma rotina por meio de estímulos sensoriais graduados de acordo com o que o bebê precisa para amadurecer o processo de auto regulação visando um crescimento sem estresse. Em terapia a família aprende a ler os sinais e incluir espontaneamente as sugestões terapêuticas no dia a dia contribuindo para a criação dos vínculos necessários para a saúde e fortalecimento da personalidade do bebê.